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5 Árvore

COOPER, J. C. Symbolism: The Universal Language. Wellingborough: Aquarian Press, 1982.

1. A árvore compartilha com a cruz o simbolismo universal do eixo do mundo e do próprio cosmos, podendo substituir sua forma nas representações do deus sacrificado e da Árvore da Vida, cuja associação à fertilidade e à renovação já existia em culturas americanas antes da chegada dos espanhóis.

2. A árvore representa a totalidade do mundo manifestado ao unir, pelas raízes, o domínio subterrâneo e as águas, pelo tronco, a passagem do tempo e a unidade, e pelos ramos, a multiplicidade das formas e a comunicação celeste, enquanto sua escalada simboliza a ascensão espiritual e sua renovação exprime a morte que conduz à vida.

3. Além de mediar os três mundos, a árvore possibilita simbolicamente o envio de mensagens ao céu pela chama e pela fumaça produzidas com sua madeira ou com o incenso.

4. Os monstros que guardam árvores de frutos preciosos ou tesouros representam os obstáculos à superação da condição mortal e à conquista da imortalidade, exigindo do herói o enfrentamento das forças que impedem o retorno ao centro e o avanço em direção à luz.

As árvores do Paraíso

1. A Árvore da Vida ocupa o centro do Paraíso e simboliza a regeneração, a unidade e a restauração da perfeição primordial, transcendendo a oposição entre bem e mal e associando-se à fonte dos quatro rios que se dirigem aos pontos cardeais e formam uma cruz.

2. A Árvore do Conhecimento introduz a consciência dos opostos e a perda da inocência primordial, enquanto a Árvore da Vida oferece a possibilidade de imortalidade e retorno ao Paraíso, reunindo-se na maçã os sentidos de queda, vida divina e poder mágico presentes em diferentes tradições.

3. Outras tradições associam a videira à Árvore do Conhecimento e o vinho à sabedoria, enquanto frutos e bebidas sagradas provenientes da Árvore da Vida, como o soma e o haoma, representam meios de alcançar a imortalidade.

4. O pessegueiro central do Paraíso chinês representa a Árvore da Vida, mas a narrativa do sacerdote transformado em macaco ao tentar roubar seu fruto adverte que a imortalidade deve ser conquistada pelo esforço e pelo crescimento espiritual, sem ambição desmedida nem atalhos ilegítimos.

5. O Paraíso apresenta-se geralmente como jardim ou espaço fechado de abundância, liberdade e harmonia, cuja perfeição primordial foi perdida com a ingestão do fruto proibido, provocando a separação entre céu e terra e a ruptura da comunicação pacífica entre deuses, seres humanos e animais.

6. A Queda simboliza a passagem da unidade espiritual à dualidade, à fragmentação e ao tempo do mundo fenomênico, despertando a nostalgia do Paraíso e a busca do centro como restauração da unidade e superação da temporalidade.

7. O retorno ao Paraíso perdido exige vencer guardiões monstruosos ou angélicos e enfrentar perigos e provações mediante disciplina e esforço perseverante.

8. A árvore exprime o princípio feminino protetor e nutridor da Grande Mãe, oferecendo sua madeira à preservação humana desde o berço até o caixão, enquanto o berço e a arca representam embarcações que sustentam a vida na travessia das águas primordiais.

9. A representação da Grande Mãe como árvore manifesta sua capacidade de proteger, alimentar e conduzir à superfície as forças fertilizadoras das profundezas terrestres, assegurando o crescimento e a continuidade da vida humana e animal.

10. A coluna, a vara e o poste podem substituir simbolicamente a árvore como eixo do mundo que comunica céu e terra e, simultaneamente, mantém sua separação.

11. As duas colunas representam as árvores do Conhecimento e da Vida e os opostos complementares mantidos em tensão e equilíbrio, formando também a Porta do Céu, cuja travessia marca o abandono do domínio profano e o ingresso numa nova existência sagrada.

12. A árvore invertida simboliza o desenvolvimento da manifestação a partir de um princípio superior, cujas forças descem pelas raízes celestes, pelo tronco e pelos ramos até o mundo terrestre, podendo também representar a expansão da luz solar.

13. A Árvore Sefirótica e a Árvore da Felicidade islâmica podem aparecer invertidas, incorporando o simbolismo da origem superior da manifestação.

14. A árvore mágica que cresce de cima para baixo constitui um motivo compartilhado por tradições da Islândia, da Lapônia, da Finlândia e de povos aborígenes australianos.

15. No simbolismo hindu, a árvore invertida possui grande importância e exprime a dimensão cósmica de Brahman, apresentado nas Upanishads como a origem da matéria da qual céu e terra receberam sua forma.

As árvores sagradas

1. As culturas atribuem caráter sagrado a árvores específicas, e o budismo distingue a Árvore da Sabedoria, que deve ser preservada, da árvore associada à ignorância e aos desejos que precisam ser extirpados, reconhecendo na figueira sob a qual Buda alcançou a iluminação um centro sagrado.

2. A árvore que separa e comunica céu e terra aparece nos mitos maoris e em outras tradições, enquanto o simbolismo céltico reúne o carvalho e o visco como poderes solar e lunar e atribui à aveleira a sabedoria oculta, cujos frutos alimentam os salmões sagrados nas águas de Avalon.

3. A aveleira conserva sua condição mágica tanto na narrativa bíblica de Jacó, que emprega suas varas para obter animais malhados, quanto no uso tradicional de seus ramos pelos rabdomantes.

4. O sicômoro egípcio representa a Árvore da Vida que oferece presentes e água e pode assumir a presença de Hathor, enquanto as tradições greco-romanas consagram árvores e plantas a divindades como Zeus, Apolo e Dioniso, associando-as aos poderes celestes, à luz e ao vinho.

5. O freixo Yggdrasil constitui a fonte de vida e imortalidade que une os três mundos na mitologia escandinava, abriga a assembleia divina e o conflito entre forças luminosas e obscuras e serve de lugar ao sacrifício de Odin em benefício da humanidade.

6. O pinheiro consagrado a Átis e considerado sagrado no mitraísmo associa-se também à tradição teutônica que posteriormente contribuiu para a árvore de Natal.

7. O número de ramos da Árvore da Vida exprime diferentes ordenações cósmicas, como os sete planetas, os milênios, os doze meses e os signos zodiacais, enquanto as tradições hindu e chinesa representam respectivamente a reunificação dos poderes solares e o equilíbrio entre seis princípios yin e seis yang.

8. O desenvolvimento da árvore a partir de uma única semente representa a multiplicidade que procede do Uno e retorna à unidade, renovando incessantemente o ciclo de nascimento, morte e renascimento.

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