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AVENTURA DE LANCELOT E MORTE DE ARTUR

VISEUX, Dominique. L'initiation chevaleresque dans la légende arthurienne. Paris: Dervy-Livres, 1980

“O orgulho, ao amadurecer, produz um grão de erro que só fornece uma colheita de lágrimas…” Ésquilo, os Persas.

“quando a lembrança do mal cai gota a gota sobre o coração dos mortais, pouco a pouco a sabedoria penetra nele, apesar deles.” Ésquilo, Agamenon.

As tradições que relatam os feitos de Lancelot, “o cavaleiro do Lago”, são bastante diversas. Aquela que nos concerne presentemente e que se segue à história de Merlin é, como se adivinha, ligada ao ciclo do Graal, e se distingue em numerosos pontos do “Cavaleiro da Carreta” de Chretien de Troyes tanto por sua constituição quanto pela natureza do aparato simbólico empregado. O “Lancelot-Graal” se compõe de três grandes fases bastante reveladoras de um processo de realização espiritual (e que se pode distinguir assim: 1. A falta ou o desvio, 2. A expiação ou a revelação, 3. A purificação); estas três fases formando aqui o que se designa sob a expressão de “Pequenos Mistérios” que constituem a iniciação real e cavalheiresca.

Lancelot, filho do Rei Ban, é acolhido após a morte de seu pai por Viviane, a Dama do Lago, que o educa em seu castelo invisível e lhe ensina os deveres de cavalaria, desejando vê-lo se tornar o “Melhor Cavaleiro do Mundo”.

Vestido de branco, ele se dirige à corte de Arthur, recebe a benção do Rei e sua espada da Rainha, de quem ele pede imediatamente para ser o servidor. Mas antes de se juntar aos companheiros da Távola Redonda e de merecer o amor da Rainha, ele empreende libertar o castelo da “Dolorosa Guarda” de seus encantamentos. Para fazer isso, ele deve, ou passar quarenta dias com as pessoas do castelo que estão sob o feitiço deste, presas a angústias mortais, ou procurar as chaves dos sortilégios, com risco de sua vida. É claro, Lancelot escolhe a segunda via, mais rápida. Ele chega então à sala proibida do castelo onde se encontram, no centro, um pilar de bronze e uma donzela de cobre segurando duas chaves: a maior liberando a donzela, a menor um baú perigoso contido no pilar. Lancelot abre o baú, desencadeando assim os poderes infernais. Quando o turbilhão passou, tudo desapareceu na sala proibida. Do lado de fora, o cemitério se transformou em pomar e o castelo tomou o nome de “Joyeuse Garde”.

De volta à corte de Arthur, e durante uma ausência do Rei, Lancelot começa então a manter com Guinevere uma paixão perigosa que os levará ao beijo do “prado dos arbustos”. Ao retorno de Arthur, Lancelot se afasta da Rainha e parte em busca do Graal. É bruscamente que ele descobre a Cidadela Aventureira e assim que entra, uma donzela lhe recomenda fechar seu coração à voz do orgulho. Introduzido perto do Rei Pellés, guardião do Graal, ele vê então entrar na grande sala, Olwen (ou Helaine), a filha do Rei Pellés, segurando, luminoso mas velado, o Santo Graal. Toda a assistência segue com os olhos o cálice luminoso. Sozinho, o olhar de Lancelot se detém em Olwen que o carrega, e que se parece estranhamente com a Rainha. Então, o Graal traz a cada convidado, as comidas mais desejadas, omitindo, no entanto, Lancelot que se havia deixado distrair da contemplação do cálice por um sentimento puramente terrestre. Ferido por esta afronta, ele é reconduzido em seu quarto por Olwen ela mesma e lá, ele continua sua imprudência até se unir com a Virgem do Graal. No dia seguinte, envergonhado, ele deixa a Cidadela Aventureira e no caminho, ele vem a se banhar em uma fonte cuja água passa por envenenada. Inconsciente, ele é acolhido por Morgana, a própria irmã de Arthur, que se anima para ele de um amor possessivo e o retém cativo. Para enganar seu tédio, ele pinta nas paredes de seu quarto seus amores com a Rainha, misturando, transpondo, sua união sacrílega com Olwen. Depois de fugir do castelo de Morgana, um pouco mais longe, ele surpreende uma caça do Rei e, usando de um estratagema, atrai a Rainha para conhecê-la carnalmente. A partir deste instante, os amantes não param de se rever, aumentando assim sua culpabilidade em relação a todos e sobretudo ao Rei.

A primeira fase da Aventura de Lancelot poderia parecer desconcertante e fazer duvidar do caminho iniciático seguido pelo cavaleiro. No entanto (e o veremos em seguida), a lógica do mito permanece implacável e não se separa de forma alguma da realidade iniciática confrontada àquela do ser.

Em primeiro lugar, convém notar a ligação que se estabelece entre a história de Merlin e a de Lancelot. Vemos que este último é acolhido e depois educado por Viviane ela mesma, aquela que, depois de ter provocado a queda de Merlin, deseja agora ver no jovem Lancelot o “Melhor Cavaleiro do Mundo”. Ora, a contradição é apenas aparente. Viviane, que encarnava junto a Merlin, a Natureza enquanto poder de ilusão, revela seu segundo rosto: a Natureza que ilumina e rejeita o ser para a luz. O ponto de queda corresponde aqui a um novo ponto de partida, da mesma forma que toda morte é também um novo nascimento.

Chegado à corte, Lancelot recebe o Padrinhado espiritual do Rei e sua espada (a arma do Conhecimento) da Rainha que ele reconhece imediatamente como sua Dama, seu Si divino e imortal. A iniciação começa então pela provação da Dolorosa Guarda, imagem mesma do mundo preso nos laços da Avidya-Maya, e a alternativa proposta a Lancelot para libertar a cidadela é significativa a este respeito: passar quarenta dias com as pessoas do castelo, presas às angústias e sob o feitiço deste, significa em outras palavras que o cavaleiro deveria suportar a longa provação de purificação imposta à humanidade comum, a reintegração no estado primordial se operando para esta em “modo passivo” (o que a tradição cristã designa pelo retorno do Cristo). A via iniciática que Lancelot escolhe é mais rápida e a reintegração se opera aqui em “modo ativo”. A sala proibida do castelo, não é outra coisa senão o Centro do Ser, inacessível aos mortais, e seu pilar central, o Eixo do Mundo ou o influxo divino que atravessa e liga os mundos e os estados de ser. Assim, não há nada de estranho em que uma “donzela de cobre” (outra figura do Si imortal) esteja ligada a ele. As duas chaves apresentadas ao cavaleiro são evidentemente as chaves dos Pequenos e dos Grandes Mistérios; quanto ao turbilhão que sucede a abertura do baú (que se poderia identificar ao chakra fundamental), é claro que se trata aqui da energia divina subitamente liberada que ilumina ou devasta dependendo do estado daquele que a provoca.

A provação da iniciação é superada com sucesso; o que podemos reconhecer na metamorfose do cemitério em pomar e que aparece como a promessa de restauração do jardim paradisíaco. Mas a realização espiritual do cavaleiro ainda está apenas em seu ponto de partida. Sua atitude em relação à Rainha é, aliás, muito eloquente: longe de reconhecer a absoluta divindade do Si, ele se entrega imediatamente ao princípio natural da Natureza e se joga nas redes da ilusão que protegem o verdadeiro acesso à Dama. Sua entrevista no castelo do Graal decorre diretamente desta atitude. Dizem-lhe para “fechar seu coração à voz do orgulho”; ora, eis o verdadeiro inimigo, aquele que Lancelot deverá perseguir até o fim de sua busca e que por enquanto é seu único mestre. O fato de o Graal não servir nenhuma comida a Lancelot constitui um segundo aviso que não impede, no entanto, o cavaleiro de desencadear seu próprio destino. Olwen é, de toda evidência, outra figura do Si, (sua semelhança com a Rainha não deixa nenhuma dúvida a este respeito e as duas imagens serão reunidas em uma só nas paredes do castelo de Morgana) e a criança que nascerá desta primeira união sacrílega, Galaad, o puro, comprometerá definitivamente as chances para Lancelot, de se tornar o Melhor Cavaleiro do Mundo.

O fato de Lancelot se banhar em uma água envenenada recapitula muito bem a situação atual do Herói. Desde este momento, ele só pode ser acolhido por Morgana que representa, como veremos em seguida, o aspecto mais maléfico da Natureza, a antítese de Guinevere. Encontramos-nos assim diante de um aparente paradoxo: o amor de Lancelot pela Rainha (o Si), no entanto sincero, se fecha em um círculo limitado em vez de se espalhar no Universo para abraçar a totalidade do Ser. Veremos que em Perceval uma situação análoga ocorre igualmente e é claro que, neste estado, a atitude do eu, embora inebriado pela visão do Si, ainda depende largamente dos apegos do Ego que tende inevitavelmente a criar desta união um fenômeno e um objeto distintos, a fim de impedir sua própria dissolução.

Aqui termina a era da Busca terrestre e começa a da Busca celestial:

Quando Galaad chega à maturidade e é armado cavaleiro por Lancelot ele mesmo, que o Assento Perigoso é enfim ocupado pelo Melhor Cavaleiro do Mundo (Galaad), após os juramentos de cavalaria renovados, todos os cavaleiros se dispersam na floresta, em busca do Graal. Uma noite, Lancelot desemboca em frente a uma capela na qual ele não pode penetrar. Ele adormece perto desta e durante seu sono, vê vir um cavaleiro doente que implora a misericórdia do Senhor. Então aparece o Santo Graal que o alivia de seus males. Assim que curado, o cavaleiro agradecendo o Graal, leva as armas de Lancelot e vai em seu cavalo. Ao acordar, Lancelot procura ver o Graal, mas ele é repelido por uma voz misteriosa que o amaldiçoa. Desesperado, ele continua seu caminho. Mais longe, ele encontra um eremita a quem ele confia seus pecados: Lancelot lamenta pela primeira vez seu amor culpado pela Rainha e promete seu arrependimento. É então que vários sonhos o visitam mostrando-lhe a amplitude de sua falta e de sua traição. Enfim, ele chega em um lugar sem saída, cercado pelas águas, as rochas e a floresta; um cavaleiro preto sai da água e mata seu cavalo. Despojado, Lancelot se deita e se recomenda a Deus. Então uma Nau Misteriosa o leva sobre as águas, durante meses, e uma noite, ele aborda a Cidadela Aventureira: ele é enfim autorizado a contemplar o Graal, mas apenas de longe. Ultrapassando involuntariamente a interdição de aproximação, ele é projetado para longe por um sopro ardente. Ele permanece então dias sem conhecimento e acorda enfim como de um estado extático; enfim, ele deixa o castelo, satisfeito, sabendo que não verá mais.

Como se vê, é primeiro pelos sonhos que a influência espiritual transmitida pela Iniciação vai se manifestar ao cavaleiro, interrompendo assim o curso de sua queda. O primeiro sonho que Lancelot terá aparece claramente como uma antecipação de seu próprio devir. O cavaleiro doente não é outro senão ele mesmo que deverá implorar a misericórdia divina a fim de se subtrair aos efeitos deploráveis da paixão orgulhosa. É por isso que as armas e o cavalo do cavaleiro “desviado” retornam de direito (pois são as armas do Conhecimento) ao cavaleiro regenerado; em outras palavras, Lancelot, no estado em que se encontra atualmente, se vê legitimamente destituído de seus direitos e negada toda pretensão ao Conhecimento. Além disso, sem cavalo (portanto sem força vital), pode ele continuar mais longe? A conversão de Lancelot diante de tantos sinais e provações será imediata. Uma outra intervenção divina lhe tornará ainda mais evidente o nada de seu próprio eu volitivo, abandonando-o a Si mesmo no caos da Materia Prima (simbolizada pelas Rochas, a Água e a Floresta). Da mesma forma, o cavaleiro preto saindo da água e matando seu cavalo virá a figurar seu próprio drama: o Erro (ou “o Mal”) saindo do caos para destruir a energia vital do Ser. O episódio da Nau Misteriosa está longe de ser raro nas tradições arturianas. A barca, como a arca de Noé, evoca aqui o “Ovo do Mundo” flutuando sobre as águas primordiais, onde o ser, tendo recapitulado seus estados anteriores e tendo se despojado de seus entraves individuais, se recomenda à “Providência Divina”. É precisamente neste estado de total despojamento e de abdicação do eu (expressa pela errância da barca) que Lancelot poderá enfim descobrir o Graal ou pelo menos a parte que lhe cabe, pois ele não está no fim de sua busca. Esta errância do eu corresponde então exatamente ao que as tradições mais diversas designam pela Noite do Aniquilamento e que remete a um estado de vacuidade total onde o eu se sente mais do que nunca isolado, tendo rompido seus apegos com o mundo fenomenal sem ainda ter estabelecido laços definitivos com a Suprema Realidade.

De volta à corte de Arthur, Lancelot anuncia à Rainha sua própria conversão, mas Agravain surpreende seu segredo e o comunica ao Rei que se recusa a dar crédito a suas palavras. Uma noite, o Rei e sua corte são hospedados por Morgana que insidiosamente dá a Arthur o quarto que Lancelot ocupou outrora. Diante das imagens reveladoras da traição de Lancelot e da Rainha, o Rei deixa sua fúria explodir e autoriza Agravain e Mordret a matar Lancelot, se eles o surpreenderem com a Rainha. É assim que os dois traidores atraem os antigos amantes em uma emboscada.

O Rei, convencido desta vez da culpabilidade da Rainha, a condena à fogueira. Por seu lado, Lancelot que conseguiu escapar, organiza o sequestro da Rainha matando na passagem Agravain, Guerehes e por engano o doce Gahériet, “aquele que todo mundo amava”. Desta hecatombe, só Mordret escapa; mas quando Gauvain descobre a morte de Gahériet, sua dor é tamanha que ele devota a Lancelot um ódio terrível e decide Arthur a partir em guerra contra ele. Lancelot, refugiado com a Rainha no castelo da Dolorosa Guarda, decide então devolver esta ao Rei em troca de seu perdão, mas apenas para ela. Arthur confia imprudentemente a Rainha e a guarda do Reino a Mordret, enquanto ele parte novamente em guerra contra Lancelot. Para abreviar lutas intermináveis, este último enfrenta Gauvain em combate singular. A contragosto, ele o mata, mas Gauvain o perdoa morrendo. Enquanto isso, Mordret se apoderou do trono de Arthur e pretende se casar com a Rainha. O exército de Arthur, então enfraquecido, volta sem demora ao Reino para enfrentar o de Mordret. No curso da grande batalha de Salisbury, Arthur consegue matar Mordret, mas este último o fere de morte. Antes de morrer, Arthur ordena a seu escudeiro que jogue Escalibor no meio de um lago. Então, uma mão sai da água, pega a espada no ar e desaparece com ela. Pouco depois, uma nau atraca, dirigida por Morgana que convida o Rei a subir para junto dela para depois desaparecer sobre as águas. Por seu lado, Guinevere não resiste à morte de Arthur e morre por sua vez. Enfim, Lancelot, tendo sabido do fim do casal real, decide castigar os herdeiros de Mordret e decapita ele mesmo o filho mais jovem do traidor. Depois disso, ele depõe as armas, se faz ordenar padre e morre como eremita.

Vimos anteriormente que Lancelot vinha de expiar sua falta e que ele havia tido o privilégio inestimável de contemplar o Graal, mas esta conversão que tocava por enquanto apenas a ele mesmo, ou seja, seu próprio eu volitivo, vai produzir no interior do Ser total uma violenta revolução. Em primeiro lugar, as antigas tendências internas do Ser (notadamente Agravain) dirigidas pelo espírito maléfico de Mordret (o princípio destrutivo) vão se manifestar contra esta nova conversão, pretextando o desapossamento do Ser (o Rei) de seus direitos em relação ao Si (a Rainha). Nisto, eles serão fortemente apoiados, como se suspeita, por Morgana, imagem da Natureza maléfica, que detém enfim o meio de sua vingança contra Guinevere. Compreende-se então por que se torna necessário para Lancelot matar, não apenas Agravain e Guerrehes (as tendências obscuras e passionais) que se levantam em seu caminho, mas também o doce Gahériet (as tendências “luminosas”) a fim de eliminar definitivamente toda autonomia do eu volitivo. Só Mordret não está ao alcance de Lancelot; com efeito, o papel “cosmogônico” de Mordret não se situa na mesma relação que o de Lancelot e não pode assim se estabelecer nenhuma ação direta entre os dois personagens. Lancelot só pode atingir Agravain que constitui de certa forma o “servo” de Mordret na ordem individual; quanto a este último, sendo a antítese do Rei, ele só pode ser morto por ele sozinho.

O assassinato de Gauvain se explica também facilmente: é claro que o Espírito cavalheiresco (Gauvain) que permanece em Lancelot, se escandaliza do assassinato das tendências superiores do eu (Gahériet) e que um conflito deve fatalmente explodir entre as duas entidades. Lá ainda, cabe a Lancelot ultrapassar o estágio das virtudes cavalheirescas que, se elas constituíam outrora um chamado à evolução do ser, se tornaram agora um freio à realização suprema. Gauvain permanece, apesar de suas virtudes no domínio do humano; é por isso que Lancelot deve “matar seu próprio Gauvain” em Si mesmo.

A partir deste instante, o Ser (o Rei) vai se encontrar desequilibrado perigosamente: estando ainda fundamentalmente sob o regime da dualidade (Arthur-Mordret), ele vai confiar imprudentemente o Si a seu próprio princípio destrutivo. O princípio regulador e mediador desta mesma dualidade (Lancelot) tendo deixado o “Reino”, é claro que os antagonismos devem se enfrentar para se aniquilarem. A esta desordem transitória, sucede, portanto, um novo equilíbrio, e o confronto de Arthur e de Mordret nos remete ao combate inicial dos dois dragões, onde a “Luz” prevalece sobre as “Trevas”, mas deve se aniquilar por sua vez, depois de ter restituído à Providência a arma divina do Conhecimento. Arthur não deixa de ser um elemento principial da Dualidade cósmica e deve para isso retornar à Natureza elementar figurada pelas Águas e Morgana, pois sua própria natureza o condena a uma perpétua migração, expressa pela nau sobre as águas. Se se pensa, com efeito, que o Rei é uma imagem sintética do Ser, não pode se tratar em definitivo aqui senão de um estado transitório ligado à “passagem” do Si na Manifestação Universal. A passagem do Ser ao Não-Ser que é o objetivo último de toda realização é assim claramente expressa pela morte do Rei ou antes por sua transmigração perpétua, este último estando intrinsecamente ligado ao mundo do devir (Samsara) e da Avidya-Maya. Além disso, não é dito na lenda que Arthur deve voltar?

O fato de Guinevere não sobreviver à morte do Rei mostra claramente que depois de ter resolvido definitivamente sua dualidade fundamental, o “eu” que não está mais sob o regime do Ser se une de Si mesmo ao “Si”; assim a existência independente deste último não tem mais nenhuma razão de ser. A perseguição dos herdeiros e a decapitação do filho mais jovem de Mordret vão sancionar definitivamente a Unidade reencontrada; desde este instante, Lancelot chegou ao termo dos Pequenos Mistérios, à restituição do estado primordial, abrindo diante dele a via do Sacerdócio e a dos Grandes Mistérios.

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