PROXIMIDADE (QURB)
RICE, Cyprian. The Persian Sufis. London: Routledge, 1964
O qurb, o senso da proximidade de Deus, é cultivado por meio da prática do estado de murāqaba, ou concentração. Os sufis frequentemente citam textos do Alcorão, como:
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“Se meus servos perguntarem por Mim, bem, Eu estou próximo.”* (Sura 2, versículo 182)
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“Estamos mais perto dele do que sua própria jugular.”* (Sura 50, versículo 15)
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“Estamos mais próximos Dele do que vós, mas não percebeis.”* (Sura 56, versículo 84)
Sarrāj explica esse estado como a percepção da proximidade com Deus, levando o buscador a se aproximar mais por meio de boas ações e pela recordação constante (zikr). Ele divide os “pessoas da proximidade” (ahl i qurb) em três categorias:
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Aqueles que se esforçam para se aproximar de Deus devido ao conhecimento de que Ele tudo sabe, está próximo e os domina—estes ainda estão na esfera do esforço (mujāhada) e da virtude conquistada (kasb).
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Os investigadores profundos que, independentemente do que vejam, percebem Deus mais próximo daquilo do que eles mesmos.
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Os homens das realizações últimas, aqueles que percorrem todo o caminho. Estes estão tão completamente perdidos (fāni) em Deus que já não têm consciência de seu próprio estado de proximidade. (Este é o grupo tocado pela atração mística.)
Esse qurb, essa proximidade com Deus, não é, como diz Rūmi, uma proximidade de tempo e lugar:
“Estar próximo de Deus não é subir ou descer. Estar próximo de Deus é escapar desta prisão da existência (isto é, do ego).”
“Que espaço tem a não-existência para ‘cima’ e ‘baixo’? A não-existência não possui ‘cedo’ ou ‘longe’ ou ‘tarde’…”
“Os amigos de Deus são tão felizes no fundo do poço que temem o trono e a coroa.”
“Todo lugar onde o próprio Amado lhes faz companhia está acima do céu, não abaixo da terra.”
(Masnavi, Livro 3, versos 4510-4515)
