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SABEDORIA DO DOMÍNIO NO VERBO DE ZACARIAS

Fusus, RABW

A Relação entre a Misericórdia Criativa e os Nomes Divinos

O tema principal deste capítulo é a relação entre a Misericórdia criativa e os objetos de sua criatividade em geral, e com os Nomes divinos em particular.

  • As essências eternas de todos os seres criados possíveis, contendo essencialmente toda a possível multiplicidade e complexidade do estado e experiência cósmicos, anseiam com o anseio de Deus de se tornarem cognoscíveis como objetos existentes da Autoconsciência do Sujeito divino.
  • A resposta a esse anseio, a essa laboração metacósmica, é a exalação aliviadora do Sopro do Misericordioso, que libera as possibilidades inerentes às essências latentes no desfile infinito da existência cósmica.

A Coisidade (shai’iyyah) e a Objetivação

A primeira coisa que deve acontecer é que o próprio Sopro venha a existir, após o que o próprio princípio da objetividade deve ser estabelecido, o que Ibn Arabi chama de “coisidade” (shai’iyyah), trazendo assim a polaridade Sujeito-objeto, tanto universalmente como Deus-Cosmo quanto particularmente como Senhor-servo.

  • Essa objetivação da “coisa” como servo, sendo da máxima importância para qualquer relação entre essência latente e devir existencial, provavelmente leva Ibn Arabi a dizer, mais adiante no capítulo, que o “deus criado na crença” é o primeiro recipiente da Misericórdia, conceito muito próximo ao de Senhor-servo [cf. Capítulo 12].
  • Pode parecer estranho, a princípio, que Ibn Arabi fale dos Nomes divinos como coisas, até que se perceba que tudo o que tem algo a ver com o ato criativo, que parece situar um objeto fora da Essência divina como algo “outro”, está portanto ele mesmo envolvido na alteridade e, portanto, também na coisidade.
  • Os Nomes divinos são precisamente várias facetas do princípio que determina a natureza e a qualidade da relação, seja individualmente como Senhor-servo ou universalmente como Deus-Cosmo; eles portanto compartilham da coisidade de todos os fatores existenciais.
  • Embora vários e muitos na existência, todos nomeiam o Único Nomeado, assim como todas as essências são essencialmente Sua Essência, sendo o retorno inevitável a ela a tarefa daquela outra Misericórdia “inspiradora” obrigadora que busca resolver a coisidade na Identidade e Unicidade [cf. Capítulo 16].

O Sopro como Senhora Diretora de Todo o Devir

Aquele Sopro do alívio divino, sem o qual não haveria Cosmos para experienciar, é a Senhora diretora de todo o devir, abrigando eternamente a Misericórdia da reintegração dentro de Si mesma.

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