User Tools

Site Tools


Action unknown: copypageplugin__copy
mitologia:neumann:start

NEUMANN

Erich Neumann (1905-1960)

Erich Neumann (1905–1960) nasceu e cresceu em Berlim, sendo o segundo filho de uma família de comerciantes bem-sucedidos. Na Universidade de Erlangen, onde iniciou seus estudos de psicologia, escreveu uma dissertação sobre a “linguística mística” de Johann Arnold Kanne, um “romântico esquecido”. Neumann ingressou na faculdade de medicina em 1928, com a intenção de se tornar psiquiatra e psicoterapeuta. Naquele mesmo ano, casou-se com Julie Blumenfeld. O filho deles, Micha, nasceu em junho de 1931.

Dezoito meses depois, quando Neumann estava terminando a faculdade de medicina, Hitler chegou ao poder. Os judeus foram imediatamente impedidos de ocupar muitos cargos, incluindo estágios médicos. Reconhecendo a gravidade do momento, Erich e Julie, sionistas desde a adolescência, partiram para a Palestina/Israel no outono de 1933 com Micha, de dois anos. No caminho, porém, pararam em Zurique, onde Erich passou por oito meses de treinamento analítico com C. G. Jung.

Depois de se estabelecerem em Tel Aviv em 1934, Neumann começou a exercer a profissão de analista junguiano e também a escrever a presente obra. Uma filha, Rachel (Rali), nasceu em maio de 1938. Em 1940, Neumann concluiu a primeira parte de As Raízes da Consciência Judaica. Em 1945, quando a guerra estava chegando ao fim na Europa, ele concluiu a segunda parte. Então, por motivos que não são totalmente conhecidos, ele deixou toda a obra de lado.

Os escritos anteriormente publicados de Erich Neumann são lidos em todo o mundo, incluindo As Origens e a História da Consciência, Psicologia Profunda e uma Nova Ética, A Grande Mãe, Amor e Psique, O Homem Criativo, O Medo do Feminino, A Criança (publicado por Julie Neumann em 1963) e suas muitas palestras no Eranos, proferidas de 1948 até sua morte em 1960. Um importante ensaio inicial, Jacob and Esau, editado por Erel Shalit e publicado em 2015, traz à luz uma peça que faltava em seu pensamento. Sua correspondência com Jung, Analytical Psychology in Exile, também foi publicada em 2015. Os dois volumes da presente obra representam não apenas a integração completa do jovem autor da teoria junguiana com o simbolismo religioso judaico, mas também o desenvolvimento precoce de insights teóricos profundos, hoje reconhecidos como as marcas registradas de sua psicologia.


Prefácio de Jung em 1949 a “THE ORIGINS AND HISTORY OF CONSCIOUSNESS”

O AUTOR me pediu que escrevesse um prefácio para seu livro com algumas palavras de introdução, e aceito de bom grado, tanto mais quanto achei sua obra mais do que bem-vinda. Ela começa exatamente onde eu também, se me fosse concedida uma segunda chance na vida, começaria a reunir os fragmentos dispersos de meus próprios escritos, a selecionar todos aqueles “começos sem continuação” e a moldá-los em um todo. À medida que lia o manuscrito deste livro, ficou claro para mim quão grandes são as desvantagens do trabalho pioneiro: tropeça-se em regiões desconhecidas; é-se desviado por analogias, perdendo para sempre o fio de Ariadne; é-se oprimido por novas impressões e novas possibilidades, e a pior desvantagem de todas é que o pioneiro só sabe depois o que deveria ter sabido antes. A segunda geração tem a vantagem de um quadro mais claro, ainda que incompleto; certos marcos que, pelo menos, se situam nas fronteiras do essencial tornaram-se familiares, e agora sabe-se o que é preciso saber para explorar o território recém-descoberto. Assim, prevenido e preparado, um representante da segunda geração pode identificar as conexões mais distantes; ele pode desvendar problemas e apresentar uma descrição coerente de todo o campo de estudo, cuja extensão total o pioneiro só pode avaliar ao final de sua obra.

Essa tarefa difícil e meritória o autor realizou com notável sucesso. Ele entrelaçou seus fatos em um padrão e criou um todo unificado, o que nenhum pioneiro poderia ter feito nem jamais teria tentado fazer. Como que para confirmar isso, a presente obra se inicia exatamente no ponto em que, sem saber, eu desembarquei no novo continente há muito tempo, a saber, o reino do simbolismo matriarcal; e, como estrutura conceitual para suas descobertas, o autor utiliza um símbolo cujo significado me ocorreu pela primeira vez em meus escritos recentes sobre a psicologia da alquimia: o uroboros. Sobre essa base, ele conseguiu construir uma história única da evolução da consciência e, ao mesmo tempo, representar o corpus de mitos como a fenomenologia dessa mesma evolução. Dessa forma, ele chega a conclusões e insights que estão entre os mais importantes já alcançados neste campo.

Naturalmente, para mim, como psicólogo, o aspecto mais valioso da obra é a contribuição fundamental que ela traz para a psicologia do inconsciente. O autor colocou os conceitos da psicologia analítica — que para muitas pessoas são tão desconcertantes — sobre uma base evolutiva sólida e, a partir dela, ergueu uma estrutura abrangente na qual as formas empíricas de pensamento encontram seu devido lugar. Nenhum sistema pode prescindir de uma hipótese global que, por sua vez, depende do temperamento e das suposições subjetivas do autor, bem como de dados objetivos. Esse fator é da maior importância na psicologia, pois a “equação pessoal” influencia a maneira de ver as coisas. A verdade última, se é que existe tal coisa, exige o conjunto de muitas vozes.

Não me resta senão parabenizar o autor por sua realização. Que este breve prefácio lhe transmita meus sinceros agradecimentos.

mitologia/neumann/start.txt · Last modified: by 127.0.0.1