esoterismo:canseliet:start
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| + | ====== CANSELIET, EUGÈNE ====== | ||
| + | CANSELIET, Eugène (1899-1982) | ||
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| + | * A juventude de Eugène Canseliet foi marcada por uma origem familiar modesta, interesse precoce pelas artes e deslocamentos durante a Primeira Guerra Mundial. | ||
| + | * Canseliet provinha de uma família de origem belga estabelecida nos subúrbios de Paris. | ||
| + | * Desde jovem, dedicou-se ao desenho e chegou a prestar exames para escolas de belas-artes. | ||
| + | * Durante a guerra, sua família mudou-se para Marselha, onde ele frequentou a escola de arte local e manteve a paixão pela pintura. | ||
| + | * Em Marselha, Canseliet conheceu Fulcanelli e Jean Julien Champagne, figuras centrais para sua iniciação e estudo da alquimia. | ||
| + | * Fulcanelli, então um homem idoso, passou a receber visitas frequentes de Canseliet, que o ouvia e o auxiliava em tarefas. | ||
| + | * Por intermédio de Fulcanelli, Canseliet conheceu Jean Julien Champagne, pintor talentoso versado em alquimia prática e próximo a esoteristas parisienses. | ||
| + | * Champagne, frequentemente apontado como o verdadeiro Fulcanelli, exerceu forte influência sobre Canseliet. | ||
| + | * De volta a Paris, Canseliet conciliou atividades profissionais diversas com o aprofundamento de seus estudos alquímicos e o convívio com seus mestres. | ||
| + | * Trabalhou como escriturário e guarda-livros enquanto prosseguia com suas pesquisas. | ||
| + | * Visitava Fulcanelli, que retornara a Paris após 1918, e Champagne, que dividiu um espaço com ele entre 1925 e 1932. | ||
| + | * Dedicava parte de seus rendimentos à aquisição de livros antigos de alquimia e copiava manualmente os que não podia comprar, em bibliotecas ou coleções particulares. | ||
| + | * No início da década de 1920, a convite de Fulcanelli, Canseliet participou de uma operação alquímica numa fábrica de gás e, posteriormente, | ||
| + | * Em uma fábrica de gás em Sarcelles, Fulcanelli instruiu Canseliet a realizar uma transmutação com materiais fornecidos pelo mestre. | ||
| + | * A operação teria produzido uma pequena quantidade de ouro, mais tarde fundida em um anel. | ||
| + | * Após o experimento, | ||
| + | * O primeiro livro, Le Mystère des cathédrales, | ||
| + | * A publicação do segundo livro de Fulcanelli ocorreu quatro anos depois, enquanto o terceiro manuscrito foi recolhido pelo autor e permaneceu inédito. | ||
| + | * Les demeures philosophales surgiu em 1930, dando sequência à obra iniciada. | ||
| + | * O terceiro manuscrito, Finis Gloriae Mundi, foi retomado por Fulcanelli e não chegou a ser publicado. | ||
| + | * Durante a década de 1930, Canseliet estabeleceu contatos e amizades duradouras no meio esotérico e publicou seu primeiro livro em 1945, mudando-se para Savignies no ano seguinte. | ||
| + | * Sua rede de relações incluiu figuras como André Savoret, Paul Le Cour (fundador da revista Atlantis), Philéas Lebesgue e Claude d' | ||
| + | * A viúva de Jean Schemit publicou o primeiro livro de autoria própria de Canseliet em 1945, obtendo sucesso apesar das condições adversas do pós-guerra. | ||
| + | * A partir de 1946, Canseliet fixou residência em Savignies, próximo a Beauvais. | ||
| + | * Em 1953, Canseliet realizou uma viagem inesperada à Espanha para reencontrar Fulcanelli, encontro do qual resultaram novas orientações para sua pesquisa alquímica. | ||
| + | * Em Sevilha, foi recebido por Fulcanelli, que aparentava ter cerca de 114 anos. | ||
| + | * O propósito do encontro foi o recebimento de conselhos e informações práticas para orientar suas pesquisas. | ||
| + | * A partir de então, Canseliet passou a seguir a chamada "via seca" da alquimia, reinterpretando sob essa ótica autores clássicos. | ||
| + | * Na segunda metade da década de 1950, Canseliet intensificou sua colaboração com periódicos e editoras especializadas em esoterismo. | ||
| + | * Iniciou colaboração com a revista La Tour Saint-Jacques, | ||
| + | * Por intermédio de Claude d' | ||
| + | * Após divergências com Lavritch, passou a publicar com Jean-Jacques Pauvert, cujas edições das obras de Fulcanelli e de seus próprios artigos obtiveram grande sucesso a partir de 1964. | ||
| + | * O sucesso editorial tornou a alquimia respeitável no meio literário francês e transformou Canseliet em uma figura frequentemente procurada pela imprensa. | ||
| + | * A década de 1970 foi um período de intensa produção intelectual para Canseliet, interrompida por um grave problema de saúde. | ||
| + | * Escreveu numerosos artigos para revistas como Atlantis e La Tourbe des Philosophes. | ||
| + | * Produziu prefácios, novas edições de obras de Fulcanelli e de seus próprios livros, além de publicar fac-símiles de tratados alquímicos e um livro de entrevistas. | ||
| + | * Em 1974, sofreu um ataque cardíaco, cuja longa convalescença reduziu suas visitas a Paris. | ||
| + | * Em seus últimos anos, Canseliet dedicou-se a entrevistas, | ||
| + | * Manteve ativa a divulgação de seu trabalho e o de seu mestre até o fim da vida. | ||
| + | * Seu falecimento, | ||
| + | * Sua produção é considerada inseparável da de Fulcanelli, que em muitos aspectos ela esclarece ou completa, influenciando fortemente o renascimento da alquimia laboratorial, | ||
| + | * No mundo anglófono, Canseliet é conhecido como o discípulo de Fulcanelli, e suas posições sobre a alquimia enfatizam a harmonia com a natureza e uma crítica à modernidade. | ||
| + | * Sua figura foi divulgada por Kenneth R. Johnson e Frater Albertus, este último em uma entrevista de 1976. | ||
| + | * Na entrevista, Canseliet destacou a necessidade de harmonia com o material, consigo mesmo e com o cosmo, mencionando as dificuldades para a realização da Grande Obra devido à poluição atmosférica e às mudanças climáticas, | ||
| + | * Manifestou censura à Igreja Católica pós-conciliar, | ||
| + | * Ao contrário de muitos intérpretes contemporâneos, | ||
| + | * Insistiu que a alquimia é, antes de tudo, uma atividade física que requer trabalho de laboratório. | ||
| + | * Manifestou pouca tolerância para com as interpretações simbólicas de Gaston Bachelard, as formulações teóricas de René Guénon e a alquimia psicologizada de Carl Gustav Jung. | ||
| + | * Por outro lado, empregou a " | ||
| + | * Deu continuidade à prática de Fulcanelli de interpretar simbolismos alquímicos na arquitetura francesa medieval e renascentista. | ||
| + | * Apesar da riqueza de informações em sua obra, Canseliet defendia que os mistérios essenciais da alquimia devem ser desvendados pelo próprio aspirante, distinguindo-se de abordagens mais abertas do século XX. | ||
| + | * A natureza real dos materiais e os procedimentos práticos devem ser deduzidos pelo aprendiz, com auxílio da oração na falta de um mestre. | ||
| + | * Sua postura contrasta com a tendência à abertura e ao estabelecimento de metas acessíveis presente em escolas alquímicas como as de Frater Albertus ou Jean Dubuis. | ||
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