folktale:graal:buescu:1.3
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| + | ====== 1.3 Chrétien e Wolfram ====== | ||
| + | //Maria Gabriela Carvalhão Buescu. Perceval e Galaaz, Cavaleiros do Graal. Lisboa: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1991// | ||
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| + | 1. Chrétien de Troyes leva a lenda arturiana a uma expressão artística difícil de igualar, segundo Bruneti, embora Loomis mitigue esse radicalismo ao afirmar que alguns estudiosos exageraram muito a influência do poeta sobre os romances arturianos posteriores, | ||
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| + | 2. Jean Frappier afirma com pertinência que, embora Chrétien tenha sido chamado pai ou inventor dos romances da Távola Redonda, o título é suscetível de má interpretação e deixa obscura a natureza precisa de sua originalidade, | ||
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| + | 3. Segundo esse arturianista, | ||
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| + | 4. Muito provavelmente a atividade literária de Chrétien de Troyes integra-se entre os anos de 1150 e 1190 e inclui as obras Erec et Enide, Cilgès, Lancelot ou le Chevalier de la Charrette, Yvain ou le Chevalier au Lion e Perceval ou Li Contes dou Graal, sendo que esta última foi deixada incompleta porque o autor morreu antes de terminar seu projeto, dando origem às quatro Continuações, | ||
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| + | 5. Quanto à produção literária que mais interessa focar, Perceval ou Li Contes dou Graal, Frappier adianta com muita precisão a data de 1181, em que Chrétien de Troyes terá muito provavelmente começado a escrevê-la, | ||
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| + | 6. Rudolfo I de Vermandois casa-se em 1159, e, em 1183, desposa Matilde, filha do Rei de Portugal, Afonso Henriques, e, sem pretender formular conjecturas sobre a problemática histórica, julga-se pertinente pensar que a relação da Infanta portuguesa, Condessa de Flandres, com a obra de Chrétien teria constituído elemento importante na difusão, na Península Ibérica, da Matéria da Bretanha, concretamente da versão do poeta francês. | ||
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| + | 7. Teria sido o Conde quem forneceu a Chrétien um livro contendo a história do Graal, contribuindo para a construção de seu Perceval, sem que se tenha chegado a conclusão precisa sobre seu conteúdo, sendo alguns estudiosos de opinião que teria fortes influências célticas, colocando-se a questão fundamentalmente em saber se no livro surgiria já a história de Perceval ligada à lenda do Graal, afirmando Frappier com veemência a impossibilidade de atribuir essa ligação ao livro de Filipe de Alsácia, nem sequer ao gênio criador do próprio poeta, sendo essa uma interrogação para a qual não existe ainda resposta verossímil e suficientemente fundamentada. | ||
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| + | 8. A morte de Chrétien de Troyes impediu-o de acabar o Perceval, fato atestado por um de seus continuadores, | ||
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| + | 9. As duas principais Continuações são anônimas e representam fonte de problematização, | ||
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| + | 10. Das outras quatro Continuações, | ||
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| + | 11. A questão de saber se os continuadores do Perceval conheceram as fontes de Chrétien de Troyes continua em aberto, perguntando-se se conheceriam o livro que supostamente o Conde Filipe de Alsácia teria dado a Chrétien, fazendo tudo isso parte da complicada teia de questões, conjecturas e hipóteses que envolvem a Matéria da Bretanha até Chrétien, concordando todos os arturianistas precisamente quanto à origem predominantemente celta do tema graálico. | ||
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| + | 12. Quanto à influência exercida pelo Perceval de Chrétien de Troyes sobre a literatura medieval posterior, o poema do alemão Wolfram von Eschenbach foi certamente um dos mais profundamente marcados, tendo surgido nos primeiros anos do século XIII o grandioso poema de Eschenbach que, segundo suas próprias palavras, se baseou no poema de Chrétien de Troyes por um lado e, por outro, num escritor chamado Kyot, cuja existência é incerta. | ||
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| + | 13. O poema de Eschenbach, conhecido sob o nome de Parzival, é célebre e marca de forma notória a literatura alemã pelo seu mérito literário, pela sua beleza e pela influência que exerceu muito mais tarde sobre o poderoso e impressionante texto Parsifal, de Richard Wagner. | ||
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| + | 14. Tal como no caso de Chrétien de Troyes, pouco se sabe a respeito da vida de Wolfram von Eschenbach, e tudo o que se conhece sobre o autor de Parzival o é de maneira indireta, ou seja, através de sua obra, presumindo-se, | ||
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| + | 15. Alguns estudiosos veem as ruínas de Wildenberg assomando por entre os arvoredos da grande floresta de Odenwald como o local, provavelmente o castelo que terá albergado o autor quando escreveu sua obra, nomeadamente o episódio do Graal em seu Parzival, e, ainda segundo Springer, terá sido esse ambiente de atmosfera certamente sugestiva que teria influenciado o autor a escrever sua obra e teria sobretudo servido de modelo, sugerindo a descrição do castelo do Graal, pouco evidente nas fontes que utilizou, nomeadamente no poema de Chrétien, colocando Springer algumas reticências quanto à identificação de Wildenberg, na medida em que faltam fundamentos objetivamente rigorosos para essa hipótese. | ||
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| + | 16. Do que não restam dúvidas é de que Wolfram teria frequentado o círculo literário de grande celebridade da corte de Hermann von Thüringen (1155-1217) em Eisenach, situando-se a data de redação de Parzival entre 1200 e 1212, e, no seu conjunto, essa obra, sendo significativamente próxima da obra de Chrétien, Perceval, apresenta relevantes diferenças, | ||
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