====== Anão ====== //[[..start|LECOUTEUX, Claude]]. [[.:start|Les nains et les elfes au Moyen Age]]. Paris: Imago, 1988.// ** O que é um Anão? ** * As literaturas medievais ocidentais silenciam quase unanimemente sobre a origem dos anões, apresentando sua existência como fato óbvio, e os dois instrumentos disponíveis para compreendê-los são a linguagem e os textos mitológicos. * O francês nain vem do latim nanus, que por sua vez vem do grego nânos; pumilio deriva de pygmaioi e designava na Antiguidade tanto seres humanos de pequena estatura quanto animais * O único termo analisável no domínio românico é lutin — do antigo francês nuiton/luiton — derivado de Neptunus: Neptun-us gerou neton, depois nuiton — influenciado por nuit, "noite", pois essas criaturas se manifestam após o anoitecer —, depois luiton/luton — influenciado por luiter, forma antiga de lutter, "lutar" — e finalmente lutin; o lutin ou espírito é portanto um avatar do deus Netuno rebaixado à categoria de simples demônio aquático, o que é confirmado por um sermão do século VII atribuído ao Pseudo-Elígio * Na área germânica, zwerc em alto-alemão médio, dvergr em nórdico antigo e dweorg em inglês antigo foram sistematicamente aplicados pelos poetas, escritores e clérigos a todos os habitantes da mitologia inferior, tornando-se um termo guarda-chuva * Zwerc traduz "fauno", "sátiro", "sileno" e "peludo" — pilosus; esses espíritos rústicos da Antiguidade clássica eram reputados pequenos, o que levanta a questão de saber se a criatura era originalmente pequena ou se o tornou por contaminação com esses espíritos terrestres romanos * A literatura germânica medieval emprega repetidamente expressões como "o pequeno anão" — daz kleine twerc — e formas diminutivas como getwergelîn, o que indica que zwerc não transmitia originalmente nenhuma ideia de tamanho, pois do contrário tais expressões seriam simplesmente pleonásticas * As raízes proto-indo-europeias propostas para zwerc são dhuer-, "enganar, prejudicar", e dheugh-, com sentido similar acrescido de astúcia; a raiz dhwergho- foi proposta em estudos mais recentes mas apresenta dificuldades filológicas * A etimologia de Julius Pokorny usa dhuergh como variante de dhreugh, "enganar" — semanticamente, "enganar" pode ter se desenvolvido a partir de "dobrar, estar curvado", pois a metáfora indo-europeia identificava a retidão com a verdade e a curvatura com a mentira; nos Vedas e no Avesta, o caminho da verdade é sinônimo do "caminho reto" * O anão era originalmente um "ser torto", predisposto ao engano pela solidariedade entre aparência física e caráter moral — crença que a Igreja combateu com as palavras do Cântico dos Cânticos (1,5): "Sou morena, mas formosa" * Exemplos literários confirmam essa malícia como traço fundamental: em Orendel, o anão Alban tenta violentar a bela Bride; Laurin é raptor e enganador apesar de seu verniz cortês; em Wolfdietrich, o anão Billunc rapta a senhora Liebgart * Na Escandinávia, os anões Fjalarr e Galarr matam Kvasir; na Hervarar saga, os anões Dvalinn e Durinn forjam uma espada maldita para o rei Svafrlami que o acaba matando; na lenda de Völundr — Wayland —, os anões tentam matar o ferreiro mítico, que só escapa porque seu pai, o gigante Vadi, havia escondido uma espada — clara indicação de que não confiava nos anões ** O Tamanho dos Anões ** * O tamanho não é critério pertinente para identificar os anões na mitologia e nas crenças, pois estamos num mundo de fronteiras fluidas onde a transformação desempenha papel central — os trolls, por exemplo, que hoje são anões, eram gigantes terríveis antes do ano 1000. * A mitologia germânica contém três grandes tipos de gigantes — o thurs, o jötunn e o risi — cujas etimologias são todas obscuras; apenas jötunn sugere claramente um "ogro" por sua relação com o verbo eta, "comer" * Alguns anões e gigantes partilham o mesmo nome — Durnir, Fjalarr e Galarr são conhecidos como anões mas seus nomes aparecem em listas de gigantes * Há anões cujos filhos são gigantes — Odin matou o gigante Sökkmímir, filho do anão Miðviðnir — e há gigantes que geraram filhos humanos, como o gigante Vadi, pai de Wayland * Reginn, irmão de Fáfnir da lenda de Siegfried, é um gigante sobre quem o Reginsmál diz: "Tinha o tamanho de um anão" * Loki, o "homenzinho", dorme com a giganta Angrboða * Na Saga de Haðingus de Saxo Gramático (ca. 1200), a giganta Harthgrepa explica a seu protegido: "Dilato-me, contruo-me, incho, encolho, cresço rapidamente; transformações imediatas me dão duas condições distintas, duas vidas separadas; torno-me enorme para aterrorizar os ferozes, mas pequena para me deitar com os homens" * No Roman van Lancelot em neerlandês médio, um anão assume o tamanho de um homem — do cavaleiro Gawain — enquanto este encolhe simultaneamente, configurando uma forma de metamorfose chamada Gestaltentausch — troca de aparência — também presente na concepção do rei Artur no Merlin de Robert de Boron e na lenda de Sigurðr quando o herói troca de corpo com Gunnar para atravessar o muro de fogo que rodeia o castelo da valquíria Brynhildr ** O Nascimento dos Anões ** * Os grandes textos mitológicos nórdicos — a Edda Poética e a Edda em Prosa de Snorri Sturluson, especialmente o Gylfaginning e o Skáldskaparmál — são a principal fonte sobre o nascimento dos anões, embora representem uma elaboração lenta e por vezes contraditória de elementos pertencentes a esferas diversas — religião, superstição e civilização — e devam ser lidos como transcrição de uma Weltanschauung que se petrifica com o tempo. * Segundo a Völuspá — A Profecia da Sibila —, após matar o gigante primordial Ymir e criar o mundo a partir de seus membros, os deuses deliberaram sobre quem deveria formar o senhor dos anões a partir do sangue de Brimir e dos membros de Bláinn — dois outros nomes de Ymir * "Então Módsognir tornou-se o maior de todos os anões, e Durinn outro. Muitas figuras semelhantes a homens eles fizeram, anões da terra, como Durinn relatou" * O Gylfaginning acrescenta que os deuses colocaram um anão em cada um dos quatro cantos do céu — Austri (Leste), Vestri (Oeste), Norðri (Norte) e Suðri (Sul) — e que dvergr é também o nome de uma das vigas do telhado nas casas dos antigos escandinavos * Snorri Sturluson explica: "Os anões foram primeiro formados no corpo de Ymir e ganharam vida. Durante esse tempo, eram vermes, mas por decisão dos deuses receberam razão e forma humana. Habitam o solo e as pedras" * Nenhum desses textos faz qualquer alusão ao tamanho dos anões * A geração espontânea a partir da decomposição do cadáver do gigante primordial explica em parte por que anões e gigantes têm pontos em comum — são parentes próximos; Virgílio chama as abelhas de "rebentos alados de um boi morto" nas Geórgicas (IV, 299) e Santa Hildegarda de Bingen (1098—1179) cita o nascimento de serpentes em condições similares * Um autor anônimo alemão do século XV descreve uma cosmogonia distinta: "Deus criou primeiro os minúsculos anões porque a terra e as montanhas eram selvagens e incultas... Deus deu aos anões grande ciência e sabedoria para que pudessem discernir entre o bem e o mal, e soubessem para que serviam as pedras preciosas... Deus criou os gigantes para que combatessem os grandes dragões e garantissem maior segurança para os anões... Depois de alguns anos, os gigantes começaram a maltratar os anões... Então Deus criou os vigorosos heróis, um povo intermediário entre os outros dois" * Nessa cosmogonia germânica tardia identifica-se o esquema trifuncional indo-europeu: os anões — mineiros e camponeses — exercem atividades da Terceira Função; os gigantes encarnam a Segunda Função — a guerra; os heróis encarnam a Primeira Função — soberania e religião * Saxo Gramático no Gesta Danorum oferece visão cosmogônica diferente em que os primeiros habitantes da terra são os gigantes; os segundos, inferiores fisicamente mas superiores em perspicácia, praticavam adivinhação e magia — os anões estão ausentes desse quadro * O Magnificat alemão, provavelmente do século XIII, inscreve os anões numa cosmogonia cristã: "Deus dividiu os diabos e os espalhou pelo mundo inteiro: na água e nas montanhas vivem nixos e anões; nas florestas e nos pântanos Deus colocou outros, elfos, thurses e wights, que não valem nada" ** Os Nomes dos Anões ** * As Eddas transmitiram longas listas de nomes de anões — a Völuspá fornece sessenta e oito e o Gylfaginning sessenta — que permitem abordar a natureza profunda dessas criaturas a partir de seis grandes grupos semânticos, confirmando tudo o que outras fontes revelam sobre elas. * O primeiro grupo atesta a confusão entre elfos e anões — "Elfo com a Varinha Mágica", "Elfo do Vento"; nomes como "Sábio", "Muito Sábio" e "De Conselho Perspicaz" também podem pertencer a elfos * O segundo grupo refere-se ao caráter ou ao aspecto físico: "Torto/Encolhido", "Inchado", "Grisalho" ou "Cego", "Duro", "De Vontade Inflexível", "Guerreiro" e "Fluente" * O terceiro grupo sugere atividade artesanal: "Hábil com as Mãos", "Moleiro", "Ferreiro", "Limador" — o trabalho dos metais ocupa lugar central, e vários anões chamam-se simplesmente "Ferreiro" ou metaforicamente "Aquele que Faz Voar Faíscas"; o poema éddico Hávamál — Discurso do Alto — confirma que Dvalinn sabia entalhar runas * O quarto grupo descreve os anões como seres nocivos: "Enganador", "Inimigo", "Fazedor de Danos", "Mestre Ladrão", "Lobo do Hidromel" * O quinto grupo apresenta os anões como magos: "Encantador", "Lapão" — pois a magia é reputada prerrogativa dos Finnar, termo que na verdade designava os Sámi —, "Mago" e "Encantador" no sentido mágico * O sexto grupo é fascinante por provar a conluio entre os anões e os mortos: "O Negro", "O Partido", "O Entorpecido", "O Morto", "O Cadáver", "Aquele que Entra no Túmulo", "Preparado para o Enterro", "O Frio", "Enterrado sob o Cairn"; a lua — astro celeste dos mortos em praticamente todas as latitudes — sugere incluir "Noite sem Lua" e "Lua Nova"; a morte vista como sono inclui "O Adormecido"; e "Ancestral" é talvez o nome mais revelador sobre as crenças associadas aos mortos ** Os Anões, as Pedras e os Mortos ** * Os anões são seres ctônicos que habitam pedras, cavernas e túmulos, e a luz do sol os petrifica — tal como os espíritos e os revenants com quem partilham mais de um traço —, o que os liga à morte de forma que a toponímia escandinava, os textos literários e as crenças folclóricas confirmam de maneira convergente. * A toponímia dinamarquesa registra três lugares chamados "Túmulo do Anão" — Dvaerghöj: um na ilha de Anholt, outro no Kattegat em Refsnæs e um terceiro perto de Kragelund; "Pedra dos Anões" — Dvergasteinn — aparece também na Noruega e na Islândia * O Landnámabók, a Saga de Snorri Goði e a Saga de Njál atestam frequentemente que a montanha era considerada nas crenças populares da época um reino dos mortos * A lenda do rei Sveigðir, narrada pelo escaldo Þjóðólfr de Hvinir no século X e retomada por Snorri Sturluson na Heimskringla: um anão sentado sob uma grande pedra chama Sveigðir dizendo-lhe "entra aqui se queres encontrar Odin" — o rei corre para dentro da pedra e ela se fecha imediatamente atrás dele, sem que ele jamais retorne; o poema de Þjóðólfr diz: "E o porteiro que odeia o dia / da tribo de Durnir / enganou Sveigðir / quando para dentro da pedra / o animoso parente de Dusli / correu atrás de um anão" * Na lenda de Teodórico de Verona — Dietrich von Bern —, ao fim de sua vida o ostrogodo segue um anão e "jamais foi visto novamente e ninguém soube o que dele se tornou" * Walter Map, clérigo nascido por volta de 1140 no condado de Hereford e morto em abril de 1209 ou 1210, narra em seu De nugis curialium — Frivolidades dos Cortesãos, escrito entre 1182 e 1193 — a história do rei Herla: um anão ruivo o convida a sua caverna após assistir ao casamento do rei; ao sair da caverna, Herla descobre que séculos se passaram no mundo dos humanos; alguns de seus companheiros tocam o chão e se desfazem em pó — o cão de caça oferecido pelo anão nunca salta ao chão, e o rei Herla cavalga desde então em errância sem fim à frente da Caça Selvagem * A reputação dos anões como guardiões de tesouros ocultos se explica pelo fato de habitarem túmulos — os túmulos eram coroados por pedras memoriais e eram usados para sepultamentos coletivos, o que explica por que os textos situam populações de anões sob os montes funerários; Snorri Sturluson, ao listar nomes de anões, diz: "Estes vieram do túmulo de Svarin para Joruvellir nos Aurvangar..." * No mito da Batalha Eterna, os mortos se transformam em pedras ao anoitecer e só retornam à vida ao amanhecer — o que dá sentido simbólico à petrificação dos anões pela luz solar * Quando o deus Thor testa seu conhecimento contra o do anão Alvíss — "O Todo-Sábio" —, diz-lhe: "Que tipo de homem és, por que tão pálido ao redor das narinas? Passaste a noite com um cadáver?" — e depois de uma contenda verbal que dura toda a noite, Thor vence porque a luz do sol nascente petrifica seu adversário: "O dia clareia sobre você agora, anão" ** Os Anões e o Artesanato ** * A mitologia nórdica e as literaturas ocidentais reconhecem o anão como artesão habilidoso e ferreiro renomado, criador dos objetos mais importantes dos deuses, e sua perícia implica conhecimento de magia — o que confirma a reputação ancestral dos ferreiros como meio-feiticeiros, conforme mostrou Mircea Eliade. * Os anões forjaram o martelo de Thor — Mjöllnir —, a lança de Odin — Gungnir —, o barco de Freyr — Skiðblaðnir — e o colar de Freya — Brisingamen; para obter este último, a deusa teve de dormir com cada um dos quatro anões que o fizeram * Os anões criaram o cabelo dourado da esposa de Thor, Sif, forjaram o anel Draupnir — que a cada nove noites produz oito anéis iguais — e um javali de cerdas douradas chamado Gullinbursti * Os anões forjaram Þrymgjöll, provavelmente o portão de ferro que sela o submundo — a Porta dos Cadáveres ou Porta do Inferno: qualquer homem que a retire das dobradiças ficará paralisado; forjaram também Gleipnir, a corrente usada pelos deuses para prender o lobo Fenrir, construída de seis elementos: o ruído dos passos de um gato, a barba de uma mulher, as raízes de uma montanha, os tendões de um urso, o sopro de um peixe e a saliva de um pássaro * Os anões são também criadores da poesia: os anões Fjalarr e Galarr mataram Kvasir, personificação de uma bebida inebriante, e misturando seu sangue com mel criaram uma bebida capaz de transformar quem a bebe em poeta ou erudito — por isso a poesia é metaforicamente descrita nos kenningar como "a bebida dos anões" ou "a bebida dos filhos de Billing" * Para os homens, os anões forjam objetos sobretudo maléficos — a espada Dáinslef, cujo nome significa "Legado de Dáinn" — sendo Dáinn um nome de anão que significa "morte" —: a ferida que ela inflige nunca sara e a espada não pode ser devolvida à bainha antes de matar alguém; a espada Tyrfingr é igualmente nociva — o rei Heiðrekr a levou consigo ao túmulo mas sua filha Hervör o forçou pela necromancia a devolvê-la * O ouro do anão Andvari — causa de um parricídio e da discórdia entre dois irmãos, Reginn e Fáfnir — é descrito no Reginsmál como pertencente a Reginn: "um homem muito habilidoso em fazer coisas e de tamanho de anão; era sábio, feroz e conhecedor de magia" ** Os Anões e os Deuses ** * Os anões ocupam lugar importante na mitologia mas não estão vinculados a nenhuma divindade germânica — nenhum membro do panteão é apresentado como senhor dos anões — o que sugere que podem representar um grupo acrescentado mais recentemente à mitologia; sua posição funcional os aproxima dos Vanir, sendo interpretáveis como uma duplicação funcional dessas divindades que encarnaria o polo negativo da Terceira Função. * Os Vanir estão associados à fertilidade agrícola, ao prazer sensual, à paz, à riqueza e a um tipo de magia chamada seiðr, pejorativamente qualificada de baixa; segundo Régis Boyer: "Claramente conectado à ideia dos Vanir está um complexo de representações em que água, magia e morte são inseparáveis" — o mesmo complexo que se associa aos anões * Os Vanir estão também associados ao domínio mineral, como atesta a lenda de Gullveig — "Ébria de Ouro" — que praticava magia e foi submetida pelos Ásir ao "tratamento metalúrgico" descrito por Georges Dumézil: traspassada por lanças e queimada três vezes sem poder ser morta * Os anões e os Vanir pertencem à mesma função — a Terceira, no sentido de Georges Dumézil — mas em polos opostos: os anões representam o polo negativo e os Vanir o polo positivo; a história de "Ébria de Ouro" seria uma ponte entre esses dois extremos, sendo o único ato malévolo dos Vanir de que se tem notícia * Apenas Freyr e Freya têm interações ocasionais com os anões: a deusa para obter seu famoso colar; o deus para solicitar a cadeia que prende Fenrir * A figura que mais se aproxima de um patrono dos anões é Loki — filho do gigante Farbauti e da giantessa Laufey ou Nal —, que Snorri Sturluson no Gylfaginning descreve como: "aprazível, até belo de se ver, mas de natureza maligna e pouco confiável"; o Sörla þáttr o descreve como "um sujeito de pequena estatura" * Loki é ladrão contumaz — rouba as maçãs de Iðunn, o cabelo de Sif, o colar de Freya, as luvas mágicas de Thor e o anel de Andvari; na Þiðreks saga, Álfrikr — Alberîch — é chamado de "mestre ladrão" * Loki é artesão: no Fjölvinnsmál é reputado ter fabricado Lævateinn — "Galho do Dano" — por meio de runas junto à Porta dos Cadáveres * Loki aparece numa lista de nomes de anões num poema éddico de interpretação dupla; em sueco, a palavra aranha — locke/lock — é afim ao nome Loki, e uma teia de aranha se chama "rede de Loki" — loksnät/locksnara — e também "rede de anão" — dvergsnät; em bretão, korr significa tanto aranha quanto anão; um encantamento em inglês antigo intitulado "Contra um Anão" — wið dweorh — descreve o anão vindo "na forma de uma aranha" * Loki se aproxima dos gigantes pela capacidade de metamorfose — homem, égua, falcão, mosca, salmão, foca, bruxa, camponesa —; se aproxima dos anões pelo tamanho, pela natureza ladrona, pela atividade artesanal e pelas conexões com o além, entre as quais a de sua filha Hel, deusa do submundo dos mortos * Georges Dumézil concluiu que os Vanir são bastante próximos dos gigantes em três traços que os opõem aos Ásir: riqueza essencial, gosto pelos prazeres sensuais e uniões conjugais entre Vanir e gigantes — os dois primeiros pontos aplicam-se igualmente aos anões * A teia de aranha associada simultaneamente a Loki e aos anões é uma associação muito arcaica — não é ocorrência isolada mas baseada em representação antiga * Hilding Celander vê em Loki um goblin — espírito travesso e trapaceiro; Axel Olrik propõe vê-lo como espírito maligno; Jan de Vries desmonta essas teorias mas Georges Dumézil considera que ele subestimou as contribuições do folclore * Os deuses nascem, evoluem e morrem com os homens e sua civilização — acolhem intrusos como Loki elevando-os ao seu nível, enquanto rebaixam ancestrais obsoletos ao nível de espíritos, gênios e até humanos; qualquer abordagem da mitologia germânica deve ser considerada uma hipótese entre muitas, dada a estratificação de culturas diferentes com concepções distintas das divindades