===== IBN ARABI ===== Abu Bakr Muhammad ibn al-Arabi — IBN ARABI (1165-1240) [[https://ibnarabisociety.org/|IBN ARABI SOCIETY]]. Associação voltada à divulgação dos trabalhos de e sobre IBN ARABI. //TB-IDEI// O sufi Abu Bakr Muhammad ibn al-Arabi, da tribo árabe de Hatim at-Tai, nasceu no ano de 560 da hégira (o ano 1165 da era cristã) em Murcia na Andalusia; morreu em 638 (1240 DC) em Damasco. Nos meios esoteristas do Islã intitula-se muhyi-d-din, o "vivificador da religião", e ash-sheikh al-akbar, "o maior mestre". Sua obra doutrinária se impõe por sua profundidade e por sua síntese, da mesma forma que pela força incisiva de certas formulações, que se referem aos aspectos mais elevados do Sufismo. Os livros e os tratados do mestre foram numerosos; a maior parte dentre eles parecem definitivamente perdidos; entre estes que subsistem, os Futuhat al-Makkiyah ("As Revelações de Meca") e os Fusus al-Hikam ("A Sabedoria dos Profetas") são os mais célebres. A primeira destas duas obras constitui uma espécie de soma das ciências esotéricas; a segunda, é frequentemente considerada como o testamento espiritual do mestre, que a redigiu no ano 627 da hégira (1229 DC) em Damasco. //LWDU// Ibn Arabi não era persa—na verdade, ele era um árabe espanhol—mas sua filosofia (ou melhor, teosofia) penetrou na Pérsia por meio de seu grande discípulo Sadroddin Qonawi e através de poetas persas como Awhadoddin Kermāni e Fakhroddin ‘Erāqi, que se dedicaram à síntese dos ensinamentos de Ibn Arabi com a Escola do Amor, representada por Ahmad Ghazali. A palavra-chave em Ibn Arabi é "Existência", e sua doutrina é conhecida como //wahdat al-wojud//, a Unidade da Existência. O primeiro princípio da fé, a Unidade (//tawhid//), é usado para resolver o problema teológico da imanência e transcendência simultânea de Deus, por meio de uma insistência na unicidade absoluta e radical do Ser. //"Não há outro deus senão Deus"// torna-se, para Ibn Arabi, o ponto de partida e o ponto final de um projeto filosófico tão vasto que exigiu a composição de impressionantes oitocentos livros, alguns deles compostos por vários volumes. Embora ainda haja muito a ser feito para desvendar esse projeto em toda a sua imensidão, já existe material suficiente disponível para evitar uma tentativa de resumo nesta introdução. No entanto, vale destacar que, apesar de o sistema de Ibn Arabi estar baseado em uma filosofia da Existência, ele também escreveu um dos mais belos e importantes livros de poesia sufi sobre o amor, no qual declarou: //"Meu coração abraça todas as formas:// \\ //pastagem para gazelas// \\ //convento para monges// \\ //templo para ídolos// \\ //Caaba para peregrinos// \\ //tábuas da Torá// \\ //páginas do Alcorão.// \\ //Sigo o Caminho do Amor,// \\ //e onde a caravana do Amor trilha seu caminho,// \\ //aí está minha religião, minha fé."// \\ Assim, Ibn Arabi não é apenas o expoente da Unidade do Ser e da unidade transcendente das religiões, mas também um mestre do Caminho do Amor. Seu ensino multifacetado abraçou o mundo intuitivo e centrado no coração da poesia, e era inevitável que ele fosse acolhido e celebrado pelos persas da Escola do Amor.