===== NIFFARI ===== //“IN SPEECHLESS ECSTASY”. Expression and Interpretation of Mystical Experience in Classical Syriac and Sufi Literature. Serafim Seppälä. Helsinki, 2002// Al-Hasan al-Niffari (m. 965) é um caso bastante singular entre os autores sufis — e não apenas por ser um dos poucos autores sufis primitivos não persas. Nas biografias sufis mais importantes, Niffari nem sequer é mencionado; no entanto, seus escritos Mawäqif e Mukhätabät, compilados por seus filhos ou netos, oferecem uma experiência fascinante e desafiadora. Eles não contêm sistematização de estados, nem especulação teórica sobre o êxtase, nem análise do mesmo. Talvez seja mais correto afirmar que os livros foram produzidos em um estado de êxtase, talvez até mesmo por escrita automática. E, curiosamente, a obra é moldada na forma de revelação, de modo que o tema do discurso é Deus. A apresentação misteriosa implica uma forma lenta e meditativa de leitura: Os nomes são a luz da letra, e a coisa nomeada é a luz dos nomes: permaneça com ela, e você verá sua luz, e caminhará com ela em sua luz, e não será coberto por ela a partir de sua luz. A diferenciação entre “afirmações técnicas envolvendo interpretação” e “enunciados que expressam beleza genuína e experiência mística”, embora muitas vezes útil, não funciona de forma alguma no caso do discurso de Niffari, que está repleto de alusões esotéricas e aforismos sutis e misteriosos.109 No entanto, Niffari pode ser incluído entre os sufis embriagados, pois suas afirmações a respeito do “ver” (ru’ya) Deus e da “influência direta” (waqfa) são muito imprudentes do ponto de vista da ortodoxia islâmica; parece também que Niffari se apresenta como uma espécie de Mahdi. O pensamento paradoxal de Niffari parece, por um lado, remover o véu entre o humano e o divino, mas, por outro lado, nega sua mera possibilidade. No uso de termos técnicos, também, Niffari segue sua própria linha. Alguns dos termos mais prevalentes ele não emprega de forma alguma (por exemplo, dhawq), outros ele emprega de maneira idiossincrática (por exemplo, wajd, harf) e, além disso, possui alguns termos inteiramente originais (waqfa). Niffari, devido à sua posição não convencional, acabou se tornando a fonte sufi mais importante deste estudo, embora seus pensamentos devam ser lidos com extrema cautela devido ao seu caráter enigmático. No entanto, ele revela inúmeros aspectos da experiência mística que outros autores não percebem. Especialmente suas visões sobre a linguagem (mística) são profundas, e sua atitude crítica em relação às principais vertentes do sufismo o leva a fazer muitas observações incisivas. Damghani tem bons motivos para afirmar que os escritos de Niffari são “absolutamente desprovidos de benefício prático ou valor instrutivo para os novatos no caminho sufi”, mas sua opinião de que eles “se assemelham mais a certas obras apócrifas judaicas ou cristãs inspiradas na Torá e no Novo Testamento” é um tanto obscura e substancialmente infundada, embora interessante.