===== INTOXICAÇÃO E SOBRIEDADE ===== //DST, SPL// Remove a palha do corpo da taça do vinho puro! Retira-a, para que se abrace a boa fortuna, para que os olhos ultrapassem os véus e sejam libertos da casa, dos móveis, do teto e da porta. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 11821-22) ---- Derrama o vinho antigo sobre as cabeças dos amantes! Traça uma nova Forma nos corações dos embriagados! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 12359) ---- Dá vinho, ó Copeiro destes últimos tempos! Ó Tu que roubaste os intelectos dos homens! Este vinho elevou as criaturas terrestres às esferas. Ó vinho, és a escada do céu! Rompe a porta da prisão da dor com o vinho! Liberta o espírito do cárcere das aflições! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 21220-22) ---- O coração está atado em cem espécies de nós, e nada desata os nós senão o vinho do espírito. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 29438) ---- Ó tu cujo coração é um oceano, bebe uma taça! Então a substância humana poderá manifestar-se. Ele concedeu o vinho do conhecimento. Seja descrito: amargo, satisfatório e delicioso, como a fidelidade no coração. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 19054) ---- Ó Copeiro satisfeito e jubiloso! Traz o vinho imediatamente, para que se beba com alegria e se repouse com alegria à sombra da Gentileza eterna. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 28976-77) ---- Por vezes compara-se Sua Gentileza ao vinho e por vezes às testemunhas, mas nenhum desses pode ser contido na Unidade divina. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 27683) ---- Quando se menciona o nome do vinho, significa-se Ele e Seu fogo; quando se lamenta, Ele está no meio dos clamores. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 32484) ---- Tu és o vinho, portanto beber vinho é necessário! Tu és o ídolo, portanto a adoração do ídolo é necessária! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 28397) ---- Estende a mão à taça e embriaga a todos, pois ninguém se tornou feliz senão oculto de si mesmo. Quando se está oculto de si, foge-se rapidamente do mundo! Não se volte o rosto para si — atenção! atenção! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 21761-62) ---- Permanece sempre embriagado e não te voltes para ti — quando te voltas para ti, ficas acorrentado. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 36337) ---- Ó Copeiro, quando derramavas vinho sobre a terra, por que o derramavas se não querias que houvesse loucura? Ó Copeiro, onde está a Gentileza daquele dia em que eras o Sol derramando luz e fazendo dançar as partículas de pó? Coloca-se o dedo sobre os lábios: “Silêncio!” Submete-se, mas as gotas derramadas falarão... Com a primeira gota que caiu na terra, Adão recebeu um espírito; quando uma gota foi derramada sobre os céus, Gabriel nasceu. Escolhiam-se os crentes sinceros até que a Misericórdia se embriagasse — então derramou-se abundantemente sobre dignos e indignos! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 29556-58, 60-61) ---- Deus possui um vinho, um vinho oculto, cuja gota deu origem a ti e ao mundo. Na segunda vez em que deixar cair uma gota, haverá libertação deste mundo, do outro mundo e de si mesmo. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 6639-40) ---- Quando se torna totalmente aniquilado no vinho, nesse instante há existência perfeita. Torna-se eterno por “Ele deu de beber” — sem morte, sem aniquilação, sem afastamento. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 28980-01) ---- Nesta noite, retira-se totalmente o espírito do corpo, para que não haja mais forma nem nome no mundo! Neste momento há embriaguez Nele — dá outra taça! Então poderá haver aniquilação nos dois mundos Nele. Quando houver aniquilação por Ele e se tornar aquilo que Ele conhece, beber-se-á a taça da não existência, taça após taça. Quando o espírito se torna luminoso por Ele, como a vela acesa — se não for consumido por Ele, permanece cru. Dá agora o vinho da não existência a cada instante; ao entrar na não existência, já não se distinguirá casa de teto. Quando a não existência aumenta, o espírito se prostra cem vezes — ó aquele cuja não existência escraviza milhares de existências! Dá vinho, medida após medida! Liberta da própria existência! O vinho é graça especial, o intelecto graça geral. Eleva ondas da não existência para arrebatar! Até quando permanecer à beira do oceano com temor? A armadilha do rei Shams al-Din captura presas em Tabriz, mas não há temor, pois já se está dentro dela. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 1716) ---- Deus! Deus! Não se pergunte os atributos do vinho ao ser autoexistente! Contempla-se sua Gentileza total nos olhos do embriagado! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 23311) ---- Como poderia o sóbrio conhecer a embriaguez dos embriagados? Como poderia Abu Jahl conhecer os estados espirituais dos Companheiros de Muhammad? (Diwan-i Shams-i Tabrizi 906) ---- Sendo Tu o Copeiro, “incredulidade” é permanecer sóbrio. Na noite em que és a lua, o sono é proibido! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 19915) ---- Escuta: bebe o vinho do espírito! Torna a mente sóbria despojada e embriagada! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 2280) ---- A forma do intelecto é toda restrição do coração, mas a forma do Amor é apenas embriaguez. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 33781) ---- Ó intelecto! Fazes existir! Ó Amor! Embriagas! Ainda que tornes desprezível, elevas ao Senhor Altíssimo. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 35822) ---- Derrama o vinho real e puro! Adormece o intelecto múltiplo! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 1150) ---- Se uma gota desta embriaguez caísse sobre os intelectos do mundo, não restariam mundo nem homem, nem necessidade nem escolha. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 35076) ---- Dá primeiro a taça ao ego falante, para que a faculdade racional cesse suas narrativas. Quando a racionalidade é bloqueada, um dilúvio vem e apaga os sinais deste mundo. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 24716-17) ---- Ontem o intelecto entrou no círculo dos libertinos: “Até quando trabalhar esta corrupção?” Quando o Copeiro derramou vinho sobre sua cabeça, rompeu a porta do asceta: “Até quando este culto?” Abandonou o rosário e a hipocrisia: “Agora é tempo de alegria!” (Diwan-i Shams-i Tabrizi 27775-77) ---- Ó senhor, outrora havia mil intelectos e boas maneiras. Agora, na ruína da embriaguez, até as más maneiras são bem-vindas! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 32431) ---- O homem na dor é como alvo de flechas — não possui armadura senão embriaguez e abnegação. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 21898) ---- Ó Copeiro, levantou-se tumulto e guerra! Derrama o vinho rosado para que todos se tornem de uma só cor! Nos dois mundos, Tua Forma manifesta a Gentileza de “Deus deu de beber”. Mostra o Rosto cor de vinho, para que todos se aturdam! Quando se torna vinho em atributo, o vinho desaparece! Quando se torna inteiramente embriaguez, ela se dissolve! Pensamento e dor habitam próximos — dá vinho para que se afastem! Ó músico, toca um canto de embriaguez, para que se afine como harpa! É o banquete do Imperador de Rum — purifica o coração como espelho! O mundo está constrito, mas aqui há expansão — deseja-se até a contração! Que inimigo do intelecto! Ao misturar-se com ele, torna-se puro conhecimento! Quando Shams-i Tabriz manifesta seu rosto no jardim da pureza, que se agarre ao seu amor! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 1648) ---- Dá muito vinho, ó Copeiro, para que desapareçam esperança e temor! Decapita o pensamento — nada há a fazer com ele! Começa o brinde! Arranca a sobriedade! Liberta o prazer das correntes da existência! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 420-421) ---- Ó Amor, traz vinho para os espíritos! Aniquila os pensamentos com esse vinho ígneo! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 11254) ---- Quando o Copeiro reduz o vinho por um instante, agarra-se sua veste em lamentação. Como taça, chora-se sangue; ferve-se como vinho: “Basta de pensamento, dá vinho! Até quando confiar ao pensamento?” (Diwan-i Shams-i Tabrizi 34168-70) ---- O coração é leve como o de um pássaro, livre de pensamento — tornou-se leve por aquela taça pesada! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 25150) ---- A taça divina aniquila os espíritos: liberta-os de pensamento, guerra e conflito. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 35680) ---- Ó dor, retira-te! Não tens parte entre os embriagados. Fere os sóbrios! Os embriagados estão livres de pensamento e dor — faz sofrer aquele que não está livre! Ó espírito embriagado no banquete de “Certamente os piedosos beberão” (LXXVI 5), ri dos astutos presos à vontade própria! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 21555-57) ---- Esses embriagados não estão sob seu próprio controle — não possuem fortaleza senão a proteção divina. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 11702) ---- A sobriedade e o intelecto derivam da frieza — quando o vinho aquece, onde estão? Na ausência de sobriedade há outra inteligência — não se compara à vigília comum. Enquanto o pássaro está na gaiola, sofre restrições; quando a gaiola se rompe, o que sucede? Quando o intelecto está presente, o ego está cheio de faltas; quando o Intelecto do intelecto aparece, onde estão os pecados? (Diwan-i Shams-i Tabrizi 23415-18) ---- É dia de festa, ano de alegria — hoje Ele passou por esta rua! A escuridão da dor desapareceu quando colocou a vela no centro. Como podem pensamento e dor resistir à taça da fidelidade derramada? Ó vinho, de que pele vieste? Ó lua, de que mês nasceste? Estás embriagado, alegre, feliz — és o sultão do coração. E o intelecto, juiz da dor, foi retirado com maestria! Alegria, pois foram atados os pés da dor e abertas cem portas de júbilo! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 2744) ---- Se retiras por um instante o vinho de Teus lábios do jardim de rosas, cada jasmim pesará três medidas por causa da embriaguez e da cabeça pesada. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 20576) ---- Embora a crueldade de dezembro arraste o jardim para a embriaguez enferma, a gentileza da primavera romperá seu sofrimento. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 5929) ---- Aquele Copeiro do espírito ainda não chegou! A embriaguez enferma não recebeu seu remédio! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 7453) Ainda que Ele pareça de semblante severo por causa da dor, escuta a boa nova: se és noite, a manhã já chegou! Se estás enfermo de embriaguez, o vinho chegou! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 14359) ---- Dá vinho cedo, ó generoso Copeiro! Na noite passada não houve sono algum por causa da sede e da embriaguez enferma. Torna doces os lábios que mencionam Teu Nome — a cabeça está enferma por Ti, alivia-a com a embriaguez! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 12164-65) ---- O Amor perguntou: “Ó senhor, o que se deseja?” Que deseja uma cabeça enferma de embriaguez senão a porta do vendedor de vinho? (Diwan-i Shams-i Tabrizi 10896) ---- Sem Teus lábios que distribuem vinho, como poderia cessar a embriaguez enferma do coração? Sem o arco de Tua sobrancelha curva, a obra do espírito não pode ser endireitada. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 19262) ---- Ó Ídolo, traz o vinho e remove a enfermidade dos embriagados! O amor por Teu Rosto tornou-os totalmente instáveis. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 20968) ---- Na noite passada, após longa espera e embriaguez enferma, a Imagem do Amado surgiu — ó Senhor, que era aquilo! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 21838) ---- Todos estão enfermos por Seu Rosto, sedentos do odre da subsistência. Portanto empenha-se turbantes e mantos junto ao Copeiro! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 24260) ---- Levanta-te, pois houve libertação e as correntes foram quebradas! Levanta-te, pois há embriaguez e liberdade da enfermidade para toda a eternidade! (Diwan-i Shams-i Tabrizi 11855) ---- Há segurança contra a enfermidade da morte, pois se bebe o vinho eterno, livre de toda enfermidade. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 18477) ---- Ó Tu que retiraste o sono, foste para um canto e ali te sentaste! Entraste no coração como a lua — mas quando o coração te contemplou, já não estavas. Uma vez que foi mostrado o jardim da Não existência, como haver paciência com a existência? Quando um espírito encontrou união e embriaguez, qual será seu estado na enfermidade da separação? Como poderia permanecer de pé a casa cujo pilar foi derrubado pela separação? Ó mente embriagada, julgaste ter escapado do sofrimento da enfermidade! Mas no Amor há união e separação — no caminho há elevações e descidas. Ainda que se conheça Deus sob um aspecto, sob muitos outros adora-se água e barro! Ainda resta longo caminho até alcançar o lugar buscado nessa loucura. (Diwan-i Shams-i Tabrizi 2742)