===== FEMININO NO SUFISMO ===== //SMDI// ** Condição e Ambiguidade do Elemento Feminino no Sufismo ** * Percepção ambivalente da mulher entre a aversão ascética e a exaltação da santidade. * Sanai expressou desdém ao sugerir que filhas estariam melhor em um caixão do que vivas, embora reconhecesse que uma mulher piedosa supera mil homens maus. * O ideal sufi concentrou-se nas figuras do homem virtuoso ou jovem cavaleiro, personificando a alta ambição espiritual. * Diferente do monasticismo cristão medieval, o Islã integrou a simpatia do Profeta pelas mulheres e a veneração de Fatima no xiismo. * Rabia al-Adawiyya como paradigma da santidade e do amor puro. * A primeira grande santa do Islã introduziu o conceito de amor desinteressado no ascetismo inicial. * Attar afirmou que, quando uma mulher caminha no caminho de Deus como um homem, ela não pode ser chamada de mulher. * O epíteto segunda Rabia tornou-se a maior honraria para mulheres que atingem a excelência na piedade. ** Mulheres na História e Prática Mística ** * Presença feminina em círculos de erudição, linhagem profética e reuniões públicas. * Margaret Smith documentou contemporâneas de Rabia, como Maryam de Basra e Rihana, caracterizadas pelo pranto místico constante. * Sayyida Nafisa e Sayyida Zeinab são veneradas no Cairo por sua virtude e descendência profética. * Fontes árabes e persas registram que mulheres frequentavam sermões de pregadores sufis e, por vezes, expiravam em êxtase durante discursos sobre o amor. * Houve místicas que receberam instrução espiritual direta de Khidr. * Papel das esposas de grandes mestres na orientação e transmissão de sabedoria. * Fatima de Nishapur, esposa de Ahmad Khidruya, aconselhou seu marido e discutiu metafísica com Bayezid Bistami. * Bayezid Bistami interrompeu o diálogo espiritual com Fatima após notar o uso de hena em suas mãos, sinalizando a interferência do mundo. * A esposa de al-Qushayri destacou-se como transmissora de tradições proféticas e erudita por mérito próprio. ** Alegoria da Mulher como Mundo e Alma Inferior ** * Tendência de equiparar o mundo fenomênico à figura feminina sedutora e infiel. * Hasan al-Basri, Ghazzali e Rumi descreveram o mundo como uma velha decrépita que se pinta para enganar os buscadores. * Yahya ibn Muadh recomendou que o asceta ignore a noiva mundo para se dedicar exclusivamente a Deus. * A alma inferior ou nafs é frequentemente comparada a uma mulher devido ao gênero gramatical feminino da palavra em árabe. * Rumi ilustrou a sedução da alma inferior através da fábula da camundonga que tenta atrair o sapo. ** Simbolismo Positivo e a Mulher como Receptáculo Divino ** * Personagens corânicas como modelos de transformação e inspiração espiritual. * Zulaykha, a esposa de Potifar, tornou-se o símbolo da alma purificada pelo desejo incessante e pela dor do amor. * Maria, a mãe de Jesus, representa o espírito puro que recebe a luz e a inspiração divina sem mácula. * Jami e Hamdi deram forma poética clássica à história de Zulaykha como a entrega total da vontade própria. * Valorização da maternidade e da fé nas tradições regionais. * A máxima profética de que o paraíso está aos pés das mães influenciou a formação de líderes como Abdul-Qadir Gilani e Farid Ganj-i Shakar. * Na literatura persa, a velha pobre ou viúva é o protótipo do oprimido cuja oração pode deter exércitos. * A lenda de Lalla Mimunah no Magrebe exemplifica a santidade alcançada pela fé simples e pelo amor puro, caminhando sobre as águas. ** Percepção da Divindade através da Beleza Feminina em Ibn Arabi ** * Visão teosófica da mulher como a revelação máxima da misericórdia de Deus. * Ibn Arabi defendeu que o amor pelas mulheres pertence às perfeições dos gnósticos e é herdado do Profeta. * Para Ibn Arabi, ver Deus na mulher é vê-Lo simultaneamente como agente e paciente, sendo esta a visão mais perfeita da divindade. * Rumi corroborou que a atividade criativa de Deus revela-se melhor na mulher, chegando a dizer que ela não é criada, mas criadora. ** Representações Literárias e o Simbolismo da Alma Noiva ** * Majnun e Layla como ícones da unificação absoluta e isolamento místico. * Majnun vê apenas Layla em todos os lugares, simbolizando o amante que encontra Deus no âmago do próprio coração. * A história de Sheikh Sanan, narrada por Attar, simboliza o frenesi do amor que desafia a razão e as fronteiras religiosas. * A alma como noiva nas tradições do subcontinente indiano. * No Sindh e no Punjab, seguindo a tradição hindu, os poetas descrevem a alma humana como a jovem ansiosa ou a noiva fiel. * Heroínas de contos folclóricos como Hir, Sassui e Sohni representam a alma em busca do amado através do sofrimento e da morte. * Nasir Andalib e seu filho Mir Dard utilizaram o simbolismo nupcial para descrever a união através da entrega completa. * Persistência do ensino sufi através de lideranças femininas na modernidade. * Atualmente, mulheres em centros como Istambul e Delhi exercem influência como diretoras de almas e mentoras espirituais. * — Se todas as mulheres fossem como a que mencionamos, então as mulheres seriam preferidas aos homens.