A vida do Bodisatva e do praticante
Zen orienta—se pela finalidade dupla de atingir a iluminação perfeita e promover a libertação de todos os seres.
Renúncia à beatitude individual e compromisso com o trabalho incansável pela salvação universal.
Karuna ou o amor como força onipotente e onicompreensiva que impede o abandono do mundo de sofrimentos.
Reencarnação durante kotis de kalpas sem busca por quietude ou repouso pessoal.
Citação do
Lankavatara sutra — Se o Bodisatva não estivesse dotado de um grande coração compassivo, não seria o Bodisatva. Seu amor o leva a pronunciar votos mediante os quais renuncia à beatitude e se compromete a trabalhar incansavelmente pela salvação de todos os seres. O Bodisatva que se compraz na beatitude do Samadhi da extinção (…) não entra no Nirvana.
O compromisso espiritual manifesta—se através de dez votos sublimes que garantem a integridade dos ensinamentos e a salvação em todos os mundos.
Honrar e servir a todos os Budas presentes em qualquer momento e lugar da existência.
Incitação aos seres para que busquem o remanso de paz na sabedoria dos plenamente iluminados.
União entre o Cada e o Todo para tornar as moradas dos seres tão imaculadas quanto as terras de Buda.
Realização da iluminação suprema em todos os mundos e o movimento constante da roda do Dharma.
A sabedoria suprema e o amor compasivo integram—se no conceito de Upaya ou plano habilidoso voltado à salvação no mundo fenomênico.
Prana como sabedoria ou intuição suprema e Sarvajnata como onisciência.
Upaya como o meio ou estratagema concebido para a pregação do Dharma e fundação do Sangha.
Interpretação da própria aparição de Buda na terra como um plano habilidoso conforme o Saddharma—Pundarika sutra.
Florescimento do Upaya a partir da Prana conforme as observações de
Suzuki.
A união entre sabedoria e ação habilidosa revela a realidade búdica em elementos triviais e na renúncia à beatitude egoísta.
Reconhecimento do sagrado na corda do aljibe, no toque do sino do refeitório ou nos bambus torcidos de To—fu.
Superação das contradições e antinomias no reino de Tathata onde a velha lógica desaparece.
Transição do este lado para o lado de lá onde a realidade não se reduz às palavras inconcebíveis.
O despertar espiritual exige métodos disciplinares que variam entre a contemplação silenciosa de Bodhi—dharma e a meditação sentada de
Dogen.
Pi—kuan ou a conduta honesta baseada no desprendimento e na harmonia com o Dharma.
Prática do Za—zen como base disciplinar na escola Soto.
Definição das quatro ações da conduta honesta: responder à aversão, obedecer ao Karma, não perseguir nada e estar de acordo com o Dharma.
A transmissão da lâmpada utiliza métodos verbais e diretos classificados conforme a natureza da intervenção do mestre no processo educativo.
O uso da paradoxalidade no
Zen aplica—se a coisas triviais para negar friamente os dados comuns da experiência sensorial.
A superação dos termos opostos manifesta—se na resposta desviada para evitar as armadilhas das proposições lógicas tradicionais.
A contradição búdica envolve a negação de evidências ou declarações prévias para desafiar o pensamento linear do discípulo.
A prática da afirmação utiliza respostas naturalistas ou irracionais para apontar a verdade presente na realidade imediata.
Referência a René Daumal sobre a dinamite filosófica.
Respostas sobre Buda como o que está no santuário, montanhas azuis, águas verdes ou uma escovilha.
Justificativa da vinda do patriarca através do florescer das plantas ou do murmúrio do vento nos bambus.
A repetição da pergunta pelo mestre serve como recurso para demonstrar a substância da sabedoria sem a necessidade de explicações.
O grito é empregado como um instrumento de despertar comparado à espada sagrada de Vajraraja ou ao rugido do leão.
Expressões sonoras como Kwan, Hoh ou Kwats.
Função do som como sonda ou filamento de erva utilizado como reclame espiritual.
O silêncio e o uso de contra—perguntas constituem formas de ensino que encerram as possibilidades do discurso puramente verbal.
O método direto utiliza gestos cotidianos e movimentos comuns para revelar o Real no seio do Reino espiritual ou Dharma—dhatu.
Beber chá, comer arroz, agitar o abano ou erguer o bastão como atos de seres realizados.
Exemplo do gato cujo movimento proclama a verdade absoluta.
Avivamento do olho prânico e restauração das faculdades de visão, conhecimento, amor e ação.
O objetivo final é libertar o praticante da ignorância para que ele possa realizar os votos do Bodisatva em movimento constante.
Abandono da balsa do Dharma após a travessia para o Nirvana conforme o Sutta—Nipata e o Vajrarchfedikn sutra.
Citação do Bhaghavan — Foi construída para mim uma excelente balsa. Fiz a travessia até o Nirvana; alcancei a margem oposta; franqueei o torrente das paixões. Mas a balsa se tornou inútil: Oh, Céu, se o desejas, deixa cair a chuva!
Movimento sem vinda nem ida semelhante ao caminhar das nuvens no céu que se parecem ao ar.