TANNER, André. Gnostiques de la Révolution. Paris: Engloff, 1946
Carta a um amigo sobre a Revolução Francesa
Confesso-lhe, meu amigo, que, com tantos dados disponíveis para apoiar seus princípios religiosos, lamento ver que eles nunca os utilizam, abandonando-os todos para recorrer a livros e milagres. Os livros sagrados que eles nos citam estão naturalmente tão distantes da crença e do pensamento do homem, que não é de se surpreender que eles falhem em seu objetivo com tais armas. As verdades em questão são anteriores a todos os livros: se não se começa por ensinar ao homem a ler essas verdades em seu ser, em sua situação tenebrosa em oposição à sede de seu coração pela luz, enfim, no movimento e no jogo de suas próprias faculdades, ele as compreende mal nos livros; em vez disso, se, pela inspeção ativa de sua própria natureza, ele já se viu como é e pressentiu o que pode ser, ele recebe sem dificuldade as confirmações que pode encontrar nas tradições, e que então apenas vêm em apoio a um fato já existente e reconhecido por ele.