O capítulo sobre
Fludd e o Globe, incluído em The Art of Memory, argumentava que a ilustração de palco no sistema mnemônico de Robert
Fludd pode lançar luz sobre o Globe Theatre de
Shakespeare.
A pesquisa sobre o assunto exigia mais trabalho e outras abordagens, especialmente sobre a publicação alemã da obra de
Fludd e as influências vitruvianas em Dee e
Fludd.
O livro concentra-se em John Dee e Robert
Fludd como representantes da filosofia renascentista na Inglaterra, com atenção à influência do revival vitruviano do Renascimento.
Defende-se que houve forte influência do Vitrúvio renascentista na Inglaterra antes de Inigo Jones, sendo John Dee, mago e matemático, um propagador dessa tradição na Inglaterra Tudor.
O prefácio de Dee à tradução inglesa de Euclides (1570) contém longas citações de Vitrúvio e Alberti em louvor à supremacia da arquitetura entre as ciências matemáticas, conectando-se ao movimento científico do final da era Tudor.
A Utriusque Cosmi Historia de
Fludd, publicada na Alemanha entre 1617 e 1619, continua os temas do prefácio de Dee e trata dos assuntos vitruvianos que este recomendara entusiasticamente.
Através de
Fludd, o movimento vitruviano elisabetano chega a Inigo Jones, que poderia ter derivado algumas de suas ideias principais da tradição Dee-
Fludd.
O teatro público inglês é estudado como um dos produtos das influências vitruvianas oriundas de Dee, permitindo nova abordagem das questões controversas da história do teatro inglês.
Sugere-se que os teatros públicos de Londres, incluindo o Globe, foram uma adaptação do teatro antigo descrito por Vitrúvio, feita na esfera de influência de Dee, com apelo às classes média e artesã.
A gravura do palco de um teatro público na Ars memoriae de
Fludd tem forte validade por derivar de alguém inserido no movimento teatral inglês, e sua publicação na Alemanha é significativa diante das circunstâncias da publicação dos livros de
Fludd pela firma De Bry.
O livro não pretende reconstruir plenamente o Globe Theatre, mas sugerir nova abordagem à planta do teatro pela história do vitruvianismo na Inglaterra e usar a gravura de
Fludd para iluminar o palco.
O núcleo da obra não é a história do teatro em si, mas a história do pensamento, particularmente as influências vitruvianas na Inglaterra Tudor e jacobina em relação à filosofia renascentista e à mentalidade renascentista.
Os teatros públicos ingleses surgem desse mundo de pensamento como fenômenos renascentistas adaptados à situação inglesa e expressivos de uma visão renascentista, e não medieval, do homem e do mundo.
A obra é o terceiro volume de uma série, precedida por Giordano Bruno and the Hermetic Tradition e The Art of Memory, e conduz os temas dos estudos renascentistas da autora em direção ao teatro inglês e a
Shakespeare.
Na história da arquitetura, a autora declara grande dívida ao trabalho de Rudolf Wittkower e espera que a Ideia do Globe possa integrar-se à tradição europeia e revitalizar o estudo do teatro shakespeariano.
Na história da ciência, a autora foi estimulada pelo interesse de jovens pesquisadores em Dee e
Fludd, sugerindo que as influências vitruvianas e o desenvolvimento da maquinaria teatral são temas afins.
Parte do material dos cinco primeiros capítulos foi apresentada em palestras no St. Peter's College, Oxford, no Warburg Institute e na Columbia University, e a influência de Vitrúvio sobre Dee e
Fludd foi base de conferência em Cornell em outubro de 1968.
A principal dívida pessoal é com a irmã R. W.
Yates, com quem todos os pontos foram discutidos, e sem cujo estímulo constante o livro não teria sido escrito.
A dívida com o Warburg Institute é incalculável, pelo uso constante de sua biblioteca e coleção fotográfica, com agradecimentos também ao Wellcome Museum, aos curadores do Ashmolean Museum e da Devonshire Collection, ao British Museum e à London Library.
O livro pode suscitar controvérsia por sua abordagem não convencional da história do teatro, sendo obra de um indivíduo que persegue argumentos contrários às visões aceitas, com responsabilidade exclusiva da autora.