R. CANSINOS ASSENS, in Libro de las mil y una noches: el de los conocimientos maravillosos y las historias entretenidas, peregrinas … 5 ̇ed ed. Madrid: Aguilar, 1992.
O conto de fadas, amplamente representado na obra com gênios ou alifrites femininos, introduz o mundo sobrenatural, no qual há muita realidade pré-histórica fantasiada.
Em relação à fábula, deve-se mencionar o conto de fadas, amplamente representado em As mil e uma noites.
Aqui, as fadas se chamam gênios ou alifrites femininos.
Com o conto de fadas, os rapsodas introduzem no livro esse mundo do sobrenatural, esse reino da pura ficção.
Segundo a crítica moderna, há nesse mundo muito de realidade pré-histórica fantasiada.
É fácil ver que essas sílfides, ondinas e mulheres-pássaro aludem a modos de vida lacustre e arbórea, cujos vestígios os antropólogos encontram hoje.
Os hebreus, durante o cativeiro na Babilônia, tomaram essa mitologia dos iranianos, adicionando o fantástico babilônico ao mítico egípcio, aceitando esse mundo ideal como paliativo contra suas desventuras.
Os hebreus, essa avançada semítica, tomaram essa mitologia durante seu cativeiro na Babilônia.
Eles adicionaram o fantástico babilônico ao mítico egípcio que levaram para a Palestina em seu êxodo.
Esses israelitas aceitaram esse mundo ideal dos iranianos como seu paliativo, um refúgio contra suas desventuras.
Eles adormeceram com relatos maravilhosos suas dores.
Na adaptação hebraica dos mitos iranianos, as fadas boas são anjos e as más são demônios, estando as visões de Isaías e Ezequiel cheias de aparições angélicas, e o livro de Tobias impregnado desse sentimento iraniano.
Na adaptação hebraica dos mitos iranianos, as fadas boas são anjos, e as más, demônios.
As visões de Isaías e Ezequiel estão cheias de aparições angélicas, providenciais e salvadoras.
Todo o livro de Tobias, com a intervenção do arcanjo Rafael, que, como um bom gênio, protege o jovem Tobias, está impregnado desse sentimento iraniano, dessa fé no maravilhoso.
Esse sentimento será depois recalcado pelo Talmud.
Os árabes enriqueceram com a mitologia iraniana sua penúria imaginativa e seu afã taumatúrgico, tomando dos judeus o que estes tomaram dos persas, e a cosmogonia e a escatologia corânicas são calcadas sobre o Bundehesch iraniano.
Com a mitologia iraniana, os árabes enriqueceram também sua penúria imaginativa e seu afã taumatúrgico.
Eles tomaram dos judeus o que estes antes tomaram dos persas.
A cosmogonia e a escatologia corânicas estão calcadas, como hoje se sabe, sobre o Bundehesch iraniano.
Mais tarde, o califa Omar, ao conquistar a Pérsia, mandou destruir todos os livros sagrados dos persas, não pelo fogo, mas pela água, arrojando-os aos rios para depois aproveitar os pergaminhos.
Mais tarde, o califa Omar, ao conquistar a Pérsia, mandou destruir todos os livros sagrados dos persas.
A destruição não foi pelo fogo, como fazia o fanatismo medieval no Ocidente, mas pela água, arrojando-os aos rios, ou seja, afogando-os.
Isso permitia aproveitar depois os pergaminhos para escrever neles com letra ortodoxa.
No fundo, tratava-se de um lavatório.
As repressões não contiveram o influxo do idealismo iraniano, e, transcorrido o primeiro século da hégira, introduz-se no Islã o sufismo, que constrói sobre o mundo sensível outro mundo maior e mais belo.
Tais repressões não puderam conter o poderoso influxo do idealismo iraniano.
Apenas transcorrido o primeiro século da hégira, introduz-se no Islã o sufismo.
O sufismo é essa reviviscência do neoplatonismo e do gnosticismo cristão com matizes do que hoje se chama hilozoísmo.
Ele recolhe tudo o que é maravilhoso-ideal criado pela imaginação humana e constrói sobre o mundo sensível outro mundo muito maior e mais belo, povoado por uma humanidade que ultrapassa esse nome.
O sufismo cria uma literatura e uma arte novas, conquistando a adesão dos espíritos nobres e delicados, fazendo com que os antigos mitos iranianos voltem a viver em poemas e histórias amalgamados com lendas talmúdicas e elementos da realidade.
O sufismo é uma religião que cria uma literatura e uma arte novos.
Desde sua aparição na Pérsia, conquista a adesão de todos os espíritos nobres e delicados e tudo renova com seu hálito vivificante de poesia.
Os antigos mitos iranianos, simbolizados em seres fantásticos, entre humanos e zoológicos, voltam a se estremecer e viver em multidão de poemas e histórias.
Muitos desses poemas e histórias passaram a As mil e uma noites amalgamados com lendas talmúdicas e elementos da realidade.
A História de Kamaru-s-Semán e sua amada e a história dos sábios que inventaram um pavão real, uma trombeta e um cavalo procedem, segundo Burton, de uma fonte ariopersa.
Por exemplo, a História de Kamaru-s-Semán e sua amada (Noites 516 a 532) procede, segundo Burton, da mesma fonte alienígena que Pedro de Provença e Cleomades e Claramunda, ou seja, de uma fonte ariopersa.
O mesmo ocorre com a história dos sábios que inventaram um pavão real, uma trombeta e um cavalo (Noites 240 a 249).