R. CANSINOS ASSENS, in Libro de las mil y una noches: el de los conocimientos maravillosos y las historias entretenidas, peregrinas … 5 ̇ed ed. Madrid: Aguilar, 1992.
O debate, que poderia ser traduzido como disputa ou controvérsia, é definido pelo padre Scheijo em sua Retórica como uma contenção entre dois litigantes sobre a qualidade de duas coisas para fazer ressaltar a mais excelente.
Segundo o padre Scheijo, o debate é uma contenção entre dois litigantes.
O objetivo é fazer ressaltar a mais excelente entre duas coisas.
O debate funciona como um torneio de engenho em que os disputadores usam toda classe de argumentos, naturais, históricos e até teológicos, em defesa da entidade que apadrinham.
Os dois supostos disputadores lançam mão de toda classe de argumentos.
Esses argumentos podem ser naturais, históricos e até teológicos.
A defesa é feita em prol da entidade física ou espiritual que cada um apadrinha.
O autor supõe que ambas as partes defendem sua tese diante de um público que se inclina ora de um lado, ora de outro, e ao final um xeque respeitável, como árbitro, dita o fallo concedendo a palma a um dos contendentes.
O público segue com interesse os raciocínios, inclinando-se já de um lado, já de outro.
Ao final, na maioria das ocasiões, toma a palavra um dos presentes, que costuma ser um xeque respeitável.
Esse árbitro põe fim à discussão e dita seu fallo, concedendo a palma do certame a um dos contendentes.
Por regra geral, o árbitro concede um acessit ao derrotado, quando não reparte equitativamente a palma entre os dois rivais.
O debate começa por um exórdio expositivo, seguido pelos respectivos alegatos dos disputantes, e quando falam em primeira pessoa cantando suas próprias excelências, pronunciam o que se chama mufajira ou panegírico, sendo o fallo do árbitro chamado de hukmu ou juízo.
O exórdio é a parte inicial expositiva.
Seguem-se os respectivos alegatos dos disputantes.
Quando os disputantes falam em primeira pessoa e cantam suas próprias excelências, pronunciam o que se chama de mufajira ou panegírico.
O fallo do árbitro recebe o nome de hukmu ou juízo.
O debate pode versar sobre toda classe de temas, sublimes, vulgares e até insignificantes e ridículos, tratando-se de fazer gala de engenho, sutileza e erudição, com o autor aspirando a surpreender e dar a impressão de que improvisa.
O tema pode ser sublime, vulgar e até insignificante e ridículo.
Trata-se de fazer gala de engenho, sutileza e erudição.
O autor aspira a surpreender e dar a seus leitores ou ouvintes a impressão de que improvisa.
Não em vão se trata de uma criação dos jograis, dos aretólogos encarregados de amenizar os festins dos senhores.
Em As mil e uma noites há muitos exemplos de debate, como os que sustentam entre si seis escravas de distinta cor na presença de seu amo, e o Ar e a Água, e o Azeite e a Carne, lembrando o concurso da Seta, o Papa-figo, a Ostra e o Tordo.
Entre os exemplos estão as disputas que seis escravas de distinta cor sustentam entre si na presença de seu amo.
Também são exemplos as disputas entre o Ar e a Água, e entre o Azeite e a Carne.
Essas disputas recordam o Concurso entre a Seta, o Papa-figo, a Ostra e o Tordo que, segundo Suetônio, valeu um prêmio do imperador Tibério a certo Aselião Sabino.
A afeição a estas disputas ou controvérsias chega até os séculos medievais, tendo-se na literatura da época a famosa Disputa entre Dom Carnaval e Dona Quaresma, e um rebento dessa mesma raiz pode ser visto no “vejame” do Século de Ouro espanhol.
A afeição a essas disputas ou controvérsias chega até esses séculos médios.
Na literatura dessa época, tem-se a famosa Disputa entre Dom Carnaval e Dona Quaresma.
Um rebento dessa mesma raiz pode ser visto no “vejame” do Século de Ouro espanhol.
Como aproximações ao debate podem ser assinaladas nas literaturas clássicas o “idílio” de Teócrito e Virgílio, em que dois pastores contendem na presença de seus companheiros com o rústico caramillo, cantando as excelências de suas amadas e disputando o prêmio.
Dois pastores contendem na presença de seus companheiros.
Eles usam o rústico caramillo e cantam as excelências de suas amadas ou as suas próprias.
Disputam o prêmio de um cordeirinho ou um beijo da rústica beleza que adoram e ensalçam.
Às vezes caem na mufajira ou autoapologia, como Córidon, o que ardia de amor pelo irmão Alexis, quando diz: “Não sou tão feio; há pouco me mirava…”