A língua das Mil e uma noites constitui um termo médio entre o árabe clássico e o vulgar, refletindo o período de transição em que a obra foi fixada.
Alternância entre zonas de purismo clássico e passagens de intenso plebeísmo.
Abundância de localismos, expressões idiomáticas e barbarismos gramaticais.
O livro funciona como um órgão polifônico onde a mutação do estilo acompanha a mudança do sentimento do escritor.
A retórica árabe da obra apresenta exemplares dos quatro estilos fundamentais, comparáveis às ordens arquitetônicas gregas.
A prosa rítmica ou ornamentada marca o nível mais alto de elevação, situando-se entre a prosa e a poesia.
Uso sistemático de imagens, aliterações e rimas internas ao início e fim dos períodos.
Emprego paradoxal desse estilo sofisticado em gêneros picarescos para descrever a miséria dos personagens.
Citação de autores de sessões literárias como Al-Hariri e Al-Yaziji.
O estilo predominante na obra é o plano ou florido, aproximando-se do sermo rusticus que gerou os atuais romances árabes.
Distância em relação ao árabe clássico e arcaico dos poemas antigos.
Uso da prosa rimada apenas para solenizar exórdios, descrever batalhas épicas ou em passagens de paródia humorística.
Menção às histórias do rei Omar bin al-Nu'man e de Gharib e Ajib como exemplos de estro épico.
A prosa semítica mantém uma cadência musical primitiva que Sheldon considera um traço de infantilismo linguístico.
A aliteração como base do nascimento da poesia e modo natural de fala humana primordial.
Transformação de vícios da prosa ocidental em virtudes da prosa oriental, como as paronomásias e similicadências.
Comparação entre os recitadores públicos árabes e os cantadores de flamenco no uso de batidas rítmicas.
A musicalidade monocórdia da prosa árabe influenciou trovadores e jograis ocidentais.
A métrica árabe evolui para formas complexas com leis severas de quantidade e número, tratadas nos estudos de poesia.
A graça da poesia árabe reside nas aliterações interiores e não na rima final, que deve ser evitada como similicadência.
As Mil e uma noites contêm variedades de metros que nem sempre foram respeitados nas traduções ocidentais.
Citação de metros como rachis, tsekil, hafif e outros.
Decisão de Galland e outros tradutores de suprimir os versos por considerá-los obstáculos à narração.
A interpolação de versos, que variam de trovas a odes longas, é uma característica essencial da técnica narrativa árabe que deve ser preservada.
Opinião favorável de Weil e Burton à manutenção das poesias intercaladas.
Uso de versos como pérolas em roupas lisas, prática comum inclusive em escritores ocidentais que citavam latim.
As incrustações líricas funcionam como citações de antologias para demonstrar a erudição do prosista.
Poemas de grande sublimidade na obra são frequentemente paráfrases de textos bíblicos.
Epinício na história do rei Omar comparado ao Magnificat de Miriam, irmã de Moisés.
Versos elegíacos na história do emir Musa associados aos lamentos de Jeremias e ao Eclesiastes de Salomão.
O estilo da obra acomoda-se à diversidade de estados de ânimo e à pluralidade de origens geográficas de seus autores.
Participação de escritores egípcios, sírios, persas arabizados e judeus.
Captura de ressonâncias dialetais por estudiosos como De Sacy e Burton para tentar datar as histórias.
A tradução de elementos exóticos para o árabe mantém um plano tonal uniforme em toda a obra.
Exemplo da História dos sete vizires como tradução direta do persa.
Impessoalidade objetiva das literaturas antigas onde o eu individual raramente se manifesta.
Ausência do narcisismo subjetivo típico do século XIX.
O tom geral da época impõe uma eugenia espiritual que torna as obras coletivas semelhantes a criações de um único gênio.
O emprego de frases estereotipadas e clichês literários é uma tradição respeitada que confere prestígio ao autor oriental.
O respeito à tradição no mundo islâmico mantém viva uma língua literária que não é falada no cotidiano.
O árabe primitivo decompôs-se em diversos romances e dialetos vulgares ao longo da geografia do império.
A escrita árabe atua como uma ideografia que mantém a unidade teórica das raças islâmicas contra a dispersão babélica.
A língua do Alcorão preserva a unidade espiritual, e sua alteração seria uma revolução traumática.
Comparação com a reforma dos jovens turcos que abandonaram o alfabeto árabe em favor de um plano racionalista.
Inexistência de sucesso para movimentos modernistas que tentaram inovar o tesouro de imagens árabes.
Registro de sufocamento de movimentos inovadores na revista Al-Ahram de El Cairo.
A supervisão dos compiladores conferiu uma fisionomia clássica e uniforme a um material originalmente romântico e diverso.