DEUSA BRANCA

GRAVES, Robert. The White Goddess. London: Faber & Faber, 2011.

A obra “A Deusa Branca” é considerada um dos livros mais extraordinários do século XX.

O caráter intensamente pessoal do livro é revelado desde a confissão de abertura até a declaração final.

O relato de Graves sobre a escrita do livro é um dos grandes relatos de inspiração literária, mas deixa perguntas sem resposta.

A pesquisa para um romance histórico adicionou uma segunda dimensão à gestação do livro.

A síntese final dos ingredientes ocorreu em março ou início de abril de 1944, quando um projeto foi interrompido.

Em meados de maio de 1944, Graves havia escrito um manuscrito, o primeiro rascunho de “A Deusa Branca”.

O argumento central do livro propõe que culturas matriarcais foram subordinadas por proponentes agressivos do patriarcado.

A iluminação que atingiu Graves foi a percepção dupla sobre a “Batalha das Árvores” e o “Cântico de Taliesin”.

O argumento do livro é difícil e interdependente, não sendo necessário compreender todas as ramificações na primeira leitura.

“A Deusa Branca” é uma obra de enorme erudição que deriva diretamente de “O Ramo de Ouro”, de Sir James Frazer.

Precursores da perspectiva de “A Deusa Branca” nos campos da poesia e estética são mais fáceis de encontrar.

Em muitos aspectos, “A Deusa Branca” tem suas origens nos movimentos literários “celtas” do final do século XIX.

É peculiar que “A Deusa Branca” não contenha nenhuma menção a W. B. Yeats ou Lady Augusta Gregory.

A comparação com “Uma Visão”, de Yeats, é instrutiva, revelando contrastes importantes entre as duas obras.

A ênfase na metáfora lembra que “A Deusa Branca” é também uma obra de crítica literária que propõe uma teoria específica da poesia inglesa.

O livro também aborda a interpretação, notavelmente no Capítulo XIX, “O Número da Besta”.

Para o próprio Graves, mais do que ler e escrever estava em jogo; “A Deusa Branca” deu sentido ao seu passado pessoal e poético.

Os editores demoraram a aceitar o livro, que foi rejeitado por Cassell, Jonathan Cape e Macmillan, antes de encontrar aceitação.

“A Deusa Branca” foi recebida com críticas mistas, sendo elogiada por alguns e ridicularizada por outros.

Após retornar a Maiorca, Graves tornou-se cada vez mais prisioneiro do padrão mítico que havia trazido à luz.

O aparecimento da terceira edição britânica em 1961 foi um estágio decisivo, transformando Graves em uma figura de culto.

“A Deusa Branca” estava em sintonia com o ocultismo, o paganismo e um tipo de feminismo que estavam no ar.

Após 1961, o fluxo constante de cartas que Graves recebia sobre o livro aumentou para um torrente.

Durante as últimas décadas de Graves, “A Deusa Branca” continuou a estender sua influência, tornando-se parte da linguagem literária geral.

O pensamento de Graves continuou a se desenvolver, e em 1963 ele começou a falar de uma “Deusa Negra”.

“A Deusa Branca” continua sendo o livro mais renomado e influente de Graves, que escapa de todos os julgamentos simples.

O propósito desta edição é apresentar o texto de “A Deusa Branca” como Graves o revisou em 1960.

Parece inconcebível que esse palimpsesto confuso tenha sido enviado à Faber para ser incorporado à edição de 1961.

No entanto, corrigir o texto não foi simples, pois alguns “erros” são menos claros e estão entrelaçados na lógica do livro.

Os diagramas desta edição são da edição Faber de 1961 e o texto da palestra é reimpresso de “Steps” (Cassell, 1958).