Não é por acaso que o estruturalismo começou oficialmente pelo estudo do conto: obcecados pelo desejo de resolver questões de filiação genética, esquecera-se que Darwin só é possível depois de Lineu — mas é significativo que o livro de Propp seja a primeira obra estruturalista de referência, nascida não do estudo do mito, da lenda ou da literatura propriamente dita, mas de um gênero bastante esquemático e abstrato.
Propp começou por trabalhar no terreno que lhe convinha; atualmente, o estruturalismo se exerce também sobre as histórias em quadrinhos e o cine-romance.
Aqueles que buscam esvaziar as formas de seu conteúdo escolhem preferencialmente um material desse gênero para melhor persuadir da insignificância do que escapa às manipulações — mas não se pode manipular até o fim um relato, qualquer que seja.
As histórias em quadrinhos ilustram esse limite: na Itália em particular, o relato é vendido separadamente dos desenhos com os balões vazios, criando uma flutuação semântica muitas vezes sensível; uma edição do jornal Pilote dedicou várias páginas a uma paródia desse processo, mostrando naturalmente a impossibilidade de transpor certos limites — não se consegue fazer entrar absolutamente qualquer coisa nos balões, pois as imagens ditam um certo sentido e constituem, assim, um freio semântico.
A linguagem é um todo que não se pode reduzir nem a uma forma — assimilando-a a uma máquina de traduzir —, nem a um simples situacionismo histórico, como queriam as antigas críticas.
O estruturalismo apresenta-se como uma reação contra o difusionismo, mas hoje é possível falar da necessidade de uma reação contra um certo estruturalismo formal, absconso e irritante.
Uma boa análise literária — uma análise compreensiva — deve segurar as duas pontas da corrente, usando ao mesmo tempo o método semântico e o estrutural; assim se evitaria o purismo, que é sempre anticientífico, pois as ciências partem antes de tudo da comodidade de seu objeto e não de uma hipótese ou de uma posição moral a priori.