No épico cortês Ortnit, do século XIII, Alberîch aparece como espírito guardião indispensável do jovem rei da Lombardia, distinto do Alberîch feroz do Nibelungenlied e mais próximo de Aubéron pela beleza solar, pela longevidade de quinhentos anos e pelo encontro que se dá numa floresta ou em sua proximidade imediata.
Ortnit decide casar-se para assegurar sua linhagem e escolhe a filha de Machorel — o sultão da Síria, na verdade Malek-al-Adel — que vive no Montabur, o Monte Tabor, e manda degolar todos os mensageiros que lhe pedem a filha em casamento
A mãe de Ortnit lhe dá um anel maravilhoso com uma pedra: “Em todo lugar que você puder cavalgar, faça-o brilhar. Ele indicará se a aventura está próxima” — o anel funciona como uma espécie de bússola cujo polo magnético é a aventura cavaleiresca
Ortnit encontra sob um tília um ser com aparência de criança de quatro anos adormecida; ao acordar, a criatura golpeia o rei com tal força que o deixa atordoado; após breve luta, Ortnit prevalece — mas o texto sugere que a criança deixou-o vencer intencionalmente
Alberîch se apresenta: “Sou um anão selvagem e muitas montanhas e vales me estão sujeitos… Meu nome é Alberîch… e sou um rei como você… Você governa o que está sobre a terra e eu faço o que quero com o que está abaixo”
Alberîch oferece a Ortnit uma armadura, caneleiras, escudo, elmo e espada fabricados pelos anões na montanha de Goukelsachs
O anão rouba o anel de Ortnit e torna-se invisível para quem não o usa; joga pedras no rei e zomba dele: “Para que serviria essa couraça? De que utilidade seria para um reino um tolo como você? Vou dar a armadura a alguém que saiba usá-la bem”
Alberîch submete o rei a uma dupla prova — física e intelectual — que o cavaleiro mal supera; o homem de experiência triunfou sobre o jovem inexperiente
Alberîch revela ser o pai de Ortnit, fruto de uma violação cometida “num belo dia verde de maio”: “Você deveria esquecer; ela não consentiu” — ato da Terceira Função que engendrou um herdeiro para um casal sem filhos, evitando a extinção da linhagem e o caos do reino
O anel — que desempenha aqui a função do animal encantado que guia o cavaleiro rumo à aventura — foi o instrumento pelo qual Alberîch atraiu seu filho até si; o sonho que inspirou Ortnit a partir em busca de aventura foi provavelmente enviado pelo próprio anão
Em Muntabur, Alberîch permanece invisível, esbofeteia o sultão, quebra os ídolos, rouba as armas dos inimigos e as lança no fosso da fortaleza, espia conversas, entra no quarto da filha de Machorel, toca música para ela e a convence a seguir Ortnit — comportando-se como um espírito malicioso e travesso
Machorel se vinga enviando ovos de dragão à Lombardia; os répteis devastam o país e Ortnit, ao tentar matá-los, é engolido vivo por um deles
Em Wolfdietrich — épico escrito como continuação de Ortnit — Alberîch reaparece sem ser nomeado como um anão peludo e barbado que tenta em vão despertar o cavaleiro adormecido pelo poder hipnótico do dragão, figura do hipnális, serpente fabulosa bem conhecida dos eruditos medievais