No romance Gaufrey do século XIII, Malabron — designado pelos termos follet e luiton — é pai do herói Robastre e manifesta uma natureza complexa de espírito aquático e ser metamórfico com traços ctônicos, revelando parentesco tipológico com os Alberîchs e lançando luz sobre aspectos da figura do anão medieval.
Malabron aparece durante a vigília fúnebre que Robastre faz junto ao caixão de seu escudeiro morto Aleaume — apaga as velas, coloca o caixão de pé e grita; quando Robastre o agarra, o espírito o abraça com os braços do morto que ele faz mover
Malabron transforma-se então em um cavalo negro com olhos que brilham como brasas — quando Robastre tenta montá-lo, o animal se transforma em touro; a batalha dura até o amanhecer, quando Malabron rola três vezes pelo chão e assume a forma de um jovem belo
Malabron declara a Robastre: “Sou verdadeiramente seu pai… Posso percorrer o mundo quando me apraz, desde que não cause dano a cristãos — é um dom mágico que recebi de Deus. Você nasceu perto de Monglane e sua mãe morreu no próprio dia de seu nascimento… Conheço sua vida e seus feitos”
Malabron conhece o passado e o futuro; oferece ao filho um dom: basta fazer o sinal da cruz três vezes e chamar seu nome para que apareça e o liberte de qualquer perigo
Durante uma tempestade, Malabron aparece em forma de peixe, carrega Robastre nas costas até uma ilha e mergulha no fundo do mar para recuperar o machado perdido pelo herói
Usando um manto que o torna invisível, Malabron resgata Robastre dos gigantes de Morhier transformando os galhos de uma oliveira em serpentes que os põem em fuga
Malabron declara: “Saiba que não sou nem diabo nem espírito mau. Sou de Deus, de quem tenho o dom de percorrer o mundo a meu prazer e em todas as formas, mas sem poder causar dano a nenhum cristão” — fórmula consagrada nas histórias de fantasmas de mortos no Purgatório que vêm buscar sufrágios dos vivos para serem finalmente libertados
Malabron encontra Robastre junto ao caixão, transforma-se em cavalo — animal ctônico e psicopompo por excelência — e sua metamorfose termina ao amanhecer, quando ele rola três vezes pelo chão
A insistência com que os autores de Huon de Bordeaux e Gaufrey recorrem à expressão “dons de Deus” — ausente dos textos germânicos — sugere que estão disfarçando elementos que cheiram a enxofre