O declínio dos elfos é evidente no léxico das línguas germânicas, começando na Inglaterra cristianizada desde o século VII.
* O termo “ælf” foi esvaziado de seu conteúdo original, tornando-se uma concha vazia que designava apenas seres sobrenaturais e espíritos.
* Em textos eruditos em inglês antigo, “ælf” entrou na formação de palavras compostas para traduzir termos latinos como hamadríades, ninfas, musas rústicas, oréades e náiades.
* “Elfos da madeira”, “elfos da água”, “elfos da terra”, “elfos da colina”, “elfos da montanha” e “elfos do mar” foram criados, esvaziando a especificidade anterior dos elfos.
* O fato de o inglês antigo apresentar uma série de palavras compostas por “ælf” é suspeito e indica a perda da especificidade original, não a existência prévia de tais elfos na cultura anglo-saxã.
* A tradução de “ninfas” (plural) por “ælfinne” (elfos no plural feminino) é um exemplo ambíguo.
Os clérigos medievais atribuíam as aflições dos seres vivos a elfos, anões, espectros, trolls e, posteriormente, bruxas, reduzindo todos a um denominador comum de maldade e paganismo.
* Em inglês antigo, um louco ou epiléptico era chamado de “elfico” (ylfig), e o indivíduo com doença mental era chamado simplesmente de “anão” (dweorg).
* O alemão moderno mantém um resquício desse sentido no adjetivo “überzwerch” (atravessado, hostil).
* Atribuíam-se aos elfos doenças como urticária (elveblest norueguês, álfarbrúnni islandês), cólica (alvskot dinamarquês), rosácea (Elffeuer alemão) e o tropeço em ovelhas (Elbe alemão).
* O dinamarquês “elleskudt” designa os indivíduos afligidos pelos elfos (“atingido pelo tiro de um elfo”).
* Na atual Alemanha, a lombalgia é chamada de “tiro de bruxa” (Hexenschuß), mas antigamente era “tiro de elfo” (Alpschuß).
* Coleções de prescrições médicas do século X, como o Læcebok e o Lacnunga, apresentam seções sobre “doença dos elfos”, “sucção dos elfos” e “doença do elfo da água”.
* As receitas incluíam pomadas de ervas, incenso, o sinal da cruz, e o conhecimento do Credo e do Pai-Nosso para proteger contra “a raça élfica, o visitante noturno goblin e as mulheres com quem o diabo tem comércio carnal”.
* O anão ou elfo age por possessão interna ou externa, como descreve o compilador do Læcebok sobre um asmático: “às vezes ele se contorce como se fosse atormentado por um anão”.
* A forma mais comum de ataque é a ferida por tiros invisíveis disparados por elfos, anões (dvergscot), bruxas (hægtessan gescot) e os Æsir (esa gescot).
* Um encantamento em inglês antigo finaliza com: “Se você foi atingido na pele, ou atingido na carne, / Ou foi atingido no sangue, ou atingido no osso, / Ou foi atingido no membro, que sua vida nunca seja dilacerada, / Se foi tiro de Æsir, ou foi tiro de elfos, / ou foi tiro de bruxa, eu te ajudarei.”
* A propagação da infecção também ocorre pela respiração (alfpûste no alto alemão médio, alvgust dinamarquês).
* Um encantamento alemão do século XV exemplifica: “Elfo com o nariz adunco / Eu te proíbo de soprar em meu rosto! / Eu te proíbo, elfo, de fumegar [?] / De rastejar, de aspirar [chupar]! / Filhos de elfo, demônios, / Removam suas garras de mim!”
* O “sopro” aparece no Roman van Lancelot em holandês médio, quando um rei anão sopra no rosto de Gawain e o reduz ao tamanho de um anão.
* A palavra composta norueguesa dvergslag (“golpe de anão”), que pode designar apoplexia, indica outro método, e nos romances medievais, um anão frequentemente golpeia um cavaleiro sem motivo.
* Chupar, soltar uma flecha, soprar, golpear, lançar-se sobre alguém e possuí-lo são os métodos usados por elfos e anões para causar doenças.
* Não há encantamento que banisse exclusivamente um elfo; quando mencionado, é sempre junto com outras criaturas da mitologia inferior, mas há pelo menos um encantamento anglo-saxão muito antigo que concerne unicamente a um anão (uma aranha).
Os anões dos contos populares, mais tarde chamados de “goblins”, são frequentemente apresentados como aqueles que emaranham novelos e dão nós nos fios.
* Na Samsons saga fagra (Saga de Samson, o Belo), as quatro filhas do gigante Krapi, chamadas de “mulheres-elfo” (álfkonurnar), são ladras e fiandeiras sobrenaturais que fazem um casaco com propriedades maravilhosas.
* O tema mais difundido é o de indivíduos que emaranham o fio que as mulheres deixaram no fuso.
* O Bispo Hugo de Mons, em 1135, descreve um fauno (faunus) que torceu os fios preparados por Amica, causando emaranhados impossíveis de desfazer.
* O emaranhamento do fio pode ser obra de um espírito brincalhão que termina o trabalho ou o vandaliza, ações comumente atribuídas a espíritos domésticos.
* Guilherme de Auvergne, Bispo de Paris (1180–1249), relata que espíritos malignos fazem aparecer lanternas de cera em estábulos, de onde pingam gotas de cera nas crinas e pescoços dos cavalos, cujas crinas são meticulosamente trançadas.
A partir da segunda metade do século XII, o elfo começou a aparecer sob uma forma muito diferente do significado de seu nome, como uma figura marginal na literatura associada a demônios ou feitiços malignos.
* Herbort von Fritzlar, no Roman de Troie (ca. 1165), escreve: “Acredito que os elfos estão me enganando.”
* Heinrich von Morungen (morto em 1222) abre um poema com: “Mais de um homem foi enfeitiçado pelos elfos.”
* Konrad von Würzburg (morto em 1287), em Partenopier und Meliur, mostra a personagem Meliur dizendo: “Milorde, você está imaginando que está sendo enganado por um elfo ou demônio porque permaneço invisível para você.”
* A crença no caráter maléfico do elfo perdurou até o início do século XX, como exemplificam feitiços e encantamentos de coleções de superstições e julgamentos de bruxaria.
* “A caminho, elfo e ela-elfo, anão e ela-anão, para cima e para baixo, vá para a casa de Fulano de Tal; provoque suas pernas, prove sua carne, beba seu sangue e afunde no chão, em nome de todos os demônios.”
* “Eu te conjuro, elfo, você que tem olhos como um bezerro, costas como uma amassadeira [corcunda], diga-me onde fica a casa de seu mestre!”
* “Vocês, elfos, sentem-se firmes, não abandonem seu ninho! Vocês, elfos, vão embora, partam logo para algum outro lugar!”
* No século XV, os elfos emergem ao lado de todos os espíritos noturnos, enquanto os anões se tornam um povo bom, ajudantes amigáveis e servos devotados, usurpando funções que não eram originalmente suas.
* O anão ou gnomo grotesco visto nos jardins hoje é a manifestação moderna dos espíritos domésticos de outrora, descendente do Silvano (Sylvanus sanctus) romano, protetor dos limites da propriedade.
No alto alemão antigo, “elfo” (Alp) designa o pesadelo, hoje chamado de “pressão élfica” (Alpdruck) ou “sonho élfico” (Alptraum).
* O termo francês “cauchemar” (pesadelo) é formado a partir do holandês médio “mare” (fantasma) e um modificador que significa “pisar, pressionar” ou “calçar”.
* O Mahr (pesadelo) é uma criatura que ataca e pressiona com seu peso, semanticamente semelhante ao grego “ephialtes” (“aquele que pula em cima”) e ao romano “incubus” (“aquele que dorme em cima”).
* O primeiro traço da fusão dos elfos com os Mahren está no Læcebok (ca. 950–1000), onde a “mara” (mare) é colocada na mesma categoria que os elfos.
* No Heimskringla, de Snorri Sturluson, o feiticeira Huld (cujo povo inclui anões e elfos) faz com que uma mara (Mahr) pise em Vanlandi até matá-lo.
* No fabliau alemão Irregang und Girregar (século XIV), de Rüdiger von Munre, a Mahr é chamada de “coisa élfica”.
* Um encantamento do início do século XV confirma: “Mãe do Elfo, Trute e Mahr, saia pelo telhado!”
* “Trute” é sinônimo de Mahr, usada no sul da Alemanha e norte da Itália.
* Nesse período, “elfo” tornou-se um nome coletivo que abrangia todos os espíritos noturnos nocivos, opondo-se a “anão”, que designava criaturas benéficas.
* A confusão entre elfo e Mahr foi encorajada pela proximidade de ambos com a morte (o Jöl, ou “sacrifício aos elfos”, celebrava rituais de fertilidade e comemoração dos mortos) e pela associação com magia, feitiços e ilusão.
* Originalmente, o Mahr era um morto malévolo, como mostra uma anedota de Guilherme de Newbury, na qual um homem morto entra no quarto da esposa e a esmaga com seu peso, comportando-se como um pesadelo.
* Estudos sobre o “chaufaton” (espírito doméstico da Alta Saboia) revelam conexões com animais domésticos e produção agropecuária (Terceira Função), trançando crinas de cavalo, caçoando das pessoas e agindo como um Mahr, pressionando os adormecidos.