Os elfos são mais enigmáticos e misteriosos que os anões e dão a impressão de ser quase um elemento decorativo na mitologia germânica — jamais descritos diretamente —, pertencendo a um estrato muito antigo das civilizações do Norte e do Leste, anterior ao primeiro ou segundo século d.C., conforme atesta Tácito (ca. 56—120 d.C.) ao mencionar mulheres veneradas pelos germânicos chamadas Albruna — nome composto de alb-/elb-, “elfo”, e rún-, palavra germânica antiga que designa primariamente segredos mágicos.
Na França medieval, os elfos não existiam — o termo foi tomado de empréstimo das línguas germânicas no século XVI para designar fadas, permanecendo raro até o século XIX
Na Alemanha, o termo alp ou elbe era raro até o século XIII, após o qual passou a ser empregado sistematicamente como sinônimo de zwerc — “anão” — e de mar — “pesadelo”
Na Inglaterra, ælf ou elf foi usado até o início do século XI, quando sofreu a mesma evolução e se confundiu com os demais cidadãos da mitologia inferior
Nos países escandinavos, o elfo — nórdico antigo álfr — é praticamente sempre um simples dvergr, e o mesmo indivíduo pode ser chamado alternadamente de “elfo” e “anão”, mostrando que os poetas já não sabiam que os dois nomes deveriam designar duas criaturas distintas
Jacob
Grimm e Ferdinand de Saussure foram fascinados pelo problema;
Grimm concluiu intuitivamente que o termo era afim ao latim albus — “branco” — e aos Alpes — montanhas brancas de neve — e ao Elba — rio de águas límpidas e claras; Elis Wadstein propôs a raiz indo-europeia albh-, “brilhar, ser branco”
Adalbert Kuhn via a raiz da palavra “elfo” no sânscrito rbhu — “artista habilidoso” — porque rbhu é o nome dos demônios que forjam as joias dos deuses; mas isso é etimologicamente impossível — o pesquisador tornou-se vítima da confusão entre o elfo e a figura do anão ferreiro
O lexema alp entra em grande número de nomes próprios: na Inglaterra, Richard Jente listou trinta e cinco nomes, entre os quais Ælfbeorht — “Elfo Brilhante” — e Ælfwine — “Amigo dos Elfos”; na Alemanha, o nome mais antigo, Alpho ou Albo, é atestado por documentos de cerca do ano 700; o primeiro nome da esposa de Pepino de Herstal era Albhaidis
Nenhum nome próprio foi jamais cunhado a partir de zwerc/dvergr/dweorg — o que é extremamente revelador, pois entre os povos germânicos o nome vinculava seu portador aos espíritos dos mortos, da terra e aos deuses; possuir um nome como Ælfwine tornava o elfo uma espécie de espírito patrono ou anjo guardião
Nils Thun conclui que esses nomes “foram cunhados numa época em que os elfos eram considerados criaturas amigáveis”; Heather Stuart considera que nomes assim “parecem indicar que os elfos eram vistos como sábios, invulneráveis e capazes de favorecer os mortais escolhidos”
O elfo é originalmente um espírito bom e belo — o oposto do anão “torto” e nocivo