Morte e Exílio

MARTINS, Mário. Introdução Histórica à Vidência do Tempo e da Morte. Braga: Livraria Cruz, 1969

A morte e o exílio do mundo

A experiência da morte é apresentada como um desterro e um exílio no mundo, onde se vive como prisioneiro de terra em terra.

A morte de reis e santos na Península Ibérica

Narrativas de morte de figuras históricas portuguesas revelam diferentes atitudes diante do fim, desde o perdão à beira do túmulo até a espera serena pelo juízo.

A morte com devoção e correção litúrgica

A rainha D. Filipa de Lencastre enfrenta a morte com humildade, devoção e um conhecimento preciso dos rituais, corrigindo os clérigos no Ofício dos Defuntos.

A morte como partida desejada para a glória

O Infante Santo, prisioneiro em Marrocos e doente, desejava intensamente partir deste mundo e recebeu a promessa da Virgem Maria de que seria levado para Deus.

A morte corajosa mas não serena na batalha

Na batalha de Alfarrobeira, o Infante D. Pedro e o Conde de Abranches decidem morrer juntos de uma vez por todas, com coragem, mas sem a serenidade de Santa Isabel.

A morte violenta e a redenção na última hora

O duque de Bragança, condenado à morte em Évora em 1483, correspondeu ao desafio trágico da morte violenta e ao desafio de Deus na última hora, tornando-se homem diferente do que fora em vida.

A morte de Santa Joana de Aveiro: medo das contas com Deus

Santa Joana de Aveiro, irmã de D. João II, teve uma morte dolorosa, inquietada não pela morte em si, mas pelas contas que ia dar a Deus, mantendo a ternura, a amizade e as rezas de senhora encerrada em convento.

A lucidez e os rituais na hora da morte

Santa Joana manteve-se lúcida até o fim, pediu a leitura da Paixão de Cristo, deu uma bofetada em si mesma ao chegar à passagem da bofetada no Senhor e morreu enquanto o padre invocava os Santos Inocentes.

A morte de D. João II e a consciência da efemeridade

D. João II, ao falecer em 1495, saboreou novamente a efemeridade das coisas mundanas, recusou o tratamento de Alteza por não passar de um “saco de terra e de bichos” e esperou atento pela morte, entregando a alma ao Criador com a oração “Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere mei”.

A morte violenta e aceita de D. Sebastião

D. Sebastião, nos areais de Alcácer-Quibir, aceitou a morte como um alto e amargo desafio, vendendo caro a vida e fitando nos olhos a detentora de todos os destinos.

A nota dominante nas mortes heroicas

Nas situações e pessoas descritas, isola-se uma nota dominante: procuravam morrer sem subterfúgios e de olhos abertos para a verdade, como um ator que sai do palco da vida sem vergonha e sem medo, fazendo por ter uma morte decente.