Ao regressarem, os monges viram que desaparecera a antiga igreja, eram já outros os monges e até mudara a cidade, com outro povo, novo bispo e leis diferentes — cem anos podiam parecer um dia, mas esses monges tinham envelhecido como de manhã para a noite, marcados cruelmente pelo tempo exterior enquanto por dentro se mantinha quase imobilidade.
Versos latinos do poema sobre o regresso: “Não era a mesma igreja que primeiramente tinham. / Não era o mesmo abade, nem os monges como antes foram, / Não era a mesma cidade, nem o mesmo povo, nem as mesmas muralhas primeiras.”
“Novo bispo havia, novo povo, nova comunidade da igreja, / Nova lei da pátria e novo rei para os príncipes, / As coisas antigas morreram, cada uma nasceu nova.”
“Não reconheciam os lugares, nem os homens, nem a fala, / Em lágrimas romperam, guardando consigo a queixa, / Pois nem pátria nem homem conhecido havia.”
“Os próprios que foram hoje de forma juvenis, / De manhã envelhecendo são de pele e pelos senis; / Decrépitos, vis e miseráveis se veem.”
Howard Rollin Patch: El otro mundo en la literatura medieval, pp. 167–168