No século XII, desenvolveu-se nos países de língua occitana uma poesia amorosa e um imaginário que impregnaram a literatura medieval até seu fim, constituindo um fenômeno de civilização, estética e ética.
A erótica dos trovadores foi transmitida a toda a França e depois à Europa.
Na época de Guillaume de Lorris, a “cortesia” era um modelo de indivíduo e sociedade bem constituído e dominante, resumindo a ideologia e suas manifestações literárias.
Os fatores desencadeantes desse ideal incluem a evolução das estruturas feudais, a originalidade do Sul, a virada econômica do final do século XI, a emancipação da mulher nobre e a abertura para o Oriente com as Cruzadas.
Nasceu assim um ideal de vida cortês, opondo “cortês” a “vilão”, que submete os valores guerreiros à excelência do amor.
Sob a forma da fin’amor, surgiu um código de conduta e expressão descrito por metáforas de lei, religião e rito, envolvendo “serviço de amor” e a dama inacessível como centro de todo valor.
A relação entre os sexos era vivida como plenitude da vida e harmonia com o universo, mas também como escola de renúncia, com a dama sempre distante.
Uma dialética sutil se constrói entre a ousadia da confissão e a timidez, entre o desejo sempre adiado e os obstáculos, entre a loucura e a sabedoria.
Uma retórica da eufemia e da hipérbole, do sofrimento e da alegria se enxerta nessa trama, presente em Chrétien de Troyes ou nas repetições do grande canto cortês.
No final do século XII, surge uma tendência à teorização em debates e tratados como o “De Amore” de André, o Capelão.