O problema a que conduzem os materiais é saber que relação existe entre a imagem da maga e as representações da morte.
Existe uma estreita conexão entre a maga e as representações da morte, mas a pergunta assim formulada não esgota o material.
Surge uma nova questão: por que o herói chega às portas da morte, e por que o conto de fadas reflete essencialmente as representações da morte e não outras?
A resposta é dada pela análise de um fenômeno que pertence não só à esfera da concepção do mundo, mas também à da concreta vida social: o rito de iniciação dos jovens ao chegar à puberdade.
Esse rito está tão estreitamente conectado com as representações da morte que não é possível estudar uma coisa sem a outra.
Deve-se confrontar o conto de fadas não só com os materiais das crenças, mas também com os correspondentes institutos sociais.
Já foi observado que o conto de fadas reflete os ritos de iniciação, mas o problema nunca foi estudado sistematicamente.
Frazer menciona o Koscej do conto de fadas, mas não demonstra o vínculo com os ritos de iniciação.
Saintyves afirma que alguns contos de fadas remontam aos ritos de iniciação, mas limita-se à afirmação sem dar provas.
Na ciência soviética, B. V. Kazanskij conclui que o complexo de Tristão e Isolda remonta aos ritos de iniciação, mas o vínculo não é elaborado.
O estudo de S. Ia. Lurié, A casa no bosque, explica uma série de fenômenos do conto de fadas de modo inecussível, mas considera apenas dois ou três tipos.
Todas as obras mencionadas consideram o fenômeno apenas sob o aspecto descritivo, sem relação com o regime social sobre cuja base se criou.
Deve-se confrontar o material do conto de fadas com o material do rito de iniciação, caracterizando primeiro esse rito.
A grande dificuldade é que não se pode traçar a história do rito, pois a etnografia o expõe apenas descritivamente.
As perspectivas históricas, a problemática e os detalhes se revelarão gradualmente a partir da representação esquemática do rito.
A iniciação é um dos institutos peculiares do regime do clã, celebrado ao chegar à puberdade, para introduzir o jovem na comunidade da tribo.
Acreditava-se que durante o rito o menino morria e depois ressuscitava como um homem novo, sendo a morte provocada por atos que figuravam o engolimento por animais fabulosos.
O rito se celebrava sempre no interior da floresta, era rodeado de profundo mistério e acompanhado de torturas físicas e mutilações.
Outra forma de morte temporária consistia em queimar simbolicamente o menino, fazê-lo cozinhar, assar e cortar em pedaços para depois ressuscitá-lo.
Ao ressuscitado se impunha um novo nome, marcas na pele, e ele fazia um tirocínio de caçador e de membro da comunidade.