O renascimento da contação de histórias é parte de uma reação à mercantilização da cultura popular em um mundo tecnológico, inserindo-se nas tensões entre folclore e folklorismo.
O renomado folclorista alemão Hermann Bausinger considera o folclore um contramundo — ligado a tradições emanadas de grupos específicos, mantidas vivas por eles e não sujeitas a convenções.
Bausinger define folklorismo como “um 'mundo folclórico secundário e administrado' — eficaz porque tem a aparência do não administrado, do original, do espontâneo, do naturalmente evoluído.”
Exemplos de folklorismo incluem: imitação do folclore para fins comerciais; criação de rituais fictícios por meio da fabricação e venda de artefatos “camponeses”, primitivos ou étnicos; recriação de rituais folclóricos em danças, cantos e músicas apresentados como representação do “verdadeiro” espírito de um grupo étnico; retorno a artesanatos indígenas como passatempo.
Na contação de histórias, o folklorismo manifesta-se em narradores que se vestem com trajes “nativos” ou assumem a aparência de um xamã autêntico, procurando recriar o tom e o ritual de um contador do passado.
Bausinger formula a questão central: “Não haveria tentativas de humanização, de uma nova autodeterminação e espontaneidade, contidas no retorno a formas da antiga cultura popular, frequentemente pré-industriais em origem e estrutura? O que parece ser um enclave do autêntico é, na realidade, na maioria das vezes, artificialmente construído, organizado, preparado e ao menos cultivado.”