Ibn Sina, como antes al-Farabi e depois São Boaventura, Santo Alberto, Santo Tomás e Escoto, parte de pressupostos teológicos prévios — a doutrina da criação tal como aparece no Antigo Testamento —, e daí deduz que a existência é extrínseca à essência e conferida por Deus às essências meramente possíveis.
A metafísica substancialista de Aristóteles, ao considerar a matéria eterna, não deixa margem para que Deus crie ex nihilo
Se as essências possuíssem por si mesmas o ser, Deus tampouco criaria nada — ou as imperfeições e privações entrariam nEle
Convém, portanto, que Deus agregue a existência necessária às essências meramente possíveis
As essências por si mesmas não merecem a existência — ela lhes é conferida por Deus, único Ser Necessário por si
As coisas, seres possíveis por si, passam a ser necessárias por outro — pela ação de Deus, que não tem outra essência senão sua existência
A unidade segue a mesma lógica — a essência por si não é una nem múltipla, é neutra; é a existência que a faz una ou múltipla
A existência é, assim, um concomitante não constitutivo nem necessário, comparável a um acidente — mas apenas comparável, não idêntico
Ibn Sina nunca falou explicitamente de distinção “real” entre essência e existência — foi Santo Tomás de Aquino, sobretudo, que atribuiu ao pensador muçulmano essa distinção ao modo como ele próprio a havia realizado