A postura metafísica de Ibn Sina distingue três momentos no ser possível por si — ser enquanto ser, ser possível por si como essência meramente possível, e ser necessário por outro —, e esse esforço dialético representa a intenção de escapar ao panteísmo por meio de distinções extremamente sutis que se prestam a interpretações diversas.
O Ser Necessário por si é Pura Existência — no ser possível por si e necessário por outro a existência é extrínseca à essência meramente possível e lhe é conferida pelo único Ser Necessário por si
No primeiro momento — ser enquanto ser — não cabe nenhuma distinção ontológica
No segundo momento há uma analogia entre o modo excelso do Ser Necessário por si e o ínfimo do ser possível por si
No terceiro momento estabelece-se uma solução de continuidade entre o Ser Necessário por si e o ser necessário por outro por meio da contingência, representada pela quididade — mahiyya —, distinta da mera essência — dat — e que não é um constitutivo do ser, mas um concomitante permanente
O autor registrou em sua tese doutoral sobre Ibn Sina, publicada em 1949: “A diferença essencial entre Deus e as criaturas consiste em que o primeiro é necessário por si e as segundas somente por outro — a essa diferença ontológica Ibn Sina considera uma diferença de natureza — por isso Ibn Sina, desde dentro de seu sistema, não é panteísta”
L. Gardet escreveu em 1951: “A vontade refletida de Ibn Sina de escapar não somente ao panteísmo, mas a todo panenteísmo, mantendo a diferença radical do contingente e do Necessário por si, do ser produzido e do Princípio primeiro”