EPÍLOGO

HCARV

Epílogo ou Perspectivas Avicenistas

A designação de epílogo permite a extensão das meditações sem o encerramento definitivo de suas perspectivas.

O objetivo não reside em delimitar a experiência íntima do homem Ibn Sina ou impor definições sobre sua natureza.

O florescimento da escola de Mir Damad em Isfahan, no século dezessete, atesta circunstâncias favoráveis no Irã.

Avicenismo e Imamismo

A tradição iraniana identifica Ibn Sina entre os Ahl-e Erfan, evitando o julgamento sobre sua qualidade de místico.

O pensamento de Ibn Sina foi compreendido e vivenciado de forma positiva entre os avicenistas xiitas no Irã.

O sentimento de oposição do Islã ortodoxo manifesta-se em relatos como o sonho de Majduddin Baghdadi.

O interesse reside na aplicação do tawil, para o qual os pensadores xiitas possuem aptidão congênita.

O testemunho de Sayyid Qazi Nurullah Shushtari exemplifica o desejo de vincular grandes vultos aos Santos Imames.

Sayyid Ahmad Alawi representa o pensador que valoriza a filosofia da antiga Pérsia e a piedade pelos Imames.

A significância da filosofia de Ibn Sina para o imamismo transcende a questão da sua fidelidade sectária.

O testemunho de pensadores como Shushtari e Alawi demonstra que o pensamento xiita recebeu novo significado da doutrina avicenista.

A meditação sobre as últimas linhas do Shifa conduz à representação do Imam como arquétipo do sábio ou gnóstico perfeito.

A concepção plena do imamato corresponde ao ideal de uma cidade perfeita sob autoridade espiritual e temporal.

Ibn Sina descreve que aquele que une sabedoria especulativa e prática torna-se quase um Deus em forma humana.

A exegese de Ahmad Alawi utiliza o Miraj-Namah para exaltar a investidura do Imam a um plano metafísico.

O Imam aparece como o gnóstico perfeito que realiza o tipo humano ideal.

O sábio é investido de uma virtualidade hierática através de seu intelecto material em sua primeira criação.

A homologia situa o Imam em relação à humanidade como o inteligível está para o sensível.

A imamologia define e representa o objetivo da antropologia mística.

As intenções dos filósofos formularam-se secretamente através da terminologia do imamismo.

Simbolismo e Presença

A percepção da realidade imâmica ocorre através de um órgão psíquico que apreende a figura eterna do Imam.

A lição de Ibn Sina para o presente reside na interiorização e na exegese da alma.

A debilidade de muitos comentários reside no retorno perpétuo a níveis de ser já transcendidos pelo símbolo.

O símbolo é mediador porque é silêncio, falando o que somente ele pode expressar.

Ver eventos em Hurqalya é distinto de percebê-los no plano histórico sensível.

A visão mental contempla uma Figura cuja realidade pessoal é o lugar de epifania da Imaginação.

A descoberta do Dador de formas liberta a alma ao identificar o doador dos dados da consciência.

A mística persa valoriza as imagens, indo contra os ensinamentos que prescrevem o despimento da alma.

O tempo de Ibn Sina apresenta-se como uma imediatez originada na êxtase das inteligências arcanjélicas.

A figura da Inteligência Ativa domina o horizonte da consciência acima dos dogmas teológicos.

A mediação da Inteligência Ativa significa uma revelação individual renovada para cada alma.