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Posfácio
O intervalo necessário para a impressão da obra permitiu a incorporação de novos estudos bibliográficos sobre a filosofia oriental de Ibn Sina.
O estudo de S. Pinès sobre a filosofia oriental e sua polêmica contra os bagdadianos reexamina o problema a partir de manuscritos inéditos.
Pinès utiliza textos datados dos últimos anos da vida do filósofo, escritos em torno do saque de Isfahan em 1034.
A perda da biblioteca de Ibn Sina causou o desaparecimento do Kitab al-Insaf, restando apenas fragmentos coletados por Abdurrahman Badawi.
Ibn Sina dividia os homens de aprendizado entre ocidentais e orientais, sendo estes últimos críticos rigorosos dos primeiros.
O termo orientais no prólogo do Shifa é a chave para a doutrina pessoal do filósofo, superando interpretações paradoxais anteriores.
A tese de Pinès identifica os orientais como nativos de Khorasan, em oposição aos filósofos de Bagdá, vistos como o ocidente islâmico.
Abdurrahman Badawi sugerira anteriormente que os orientais seriam os peripatéticos de Bagdá, tese agora refutada.
O tom desdenhoso de Ibn Sina contra os cristãos de Bagdá impede que seus adversários sejam identificados com seus porta-vozes.
A concordância entre a epístola a al-Kiya e o Kitab al-Insaf confirma a identidade das opiniões de Ibn Sina com a dos orientais.
A doutrina oriental afasta-se da tradição peripatética ao sustentar que a alma possui existência separada do corpo.
Os orientais manifestam sua independência ao criticar abertamente a autoridade de Aristóteles.
O Kitab al-Insaf estabelece uma identidade entre a filosofia dos orientais e a filosofia oriental ensinada na Hikmat mashriqiya.
Os orientais serviam como figura de proa para o autor ao longo de toda a obra.
Os adversários bagdadianos representavam o peripatetismo dos comentadores gregos, confirmando sua posição geográfica e doutrinária como ocidentais.
O problema do intelecto hyleal e a sobrevivência da alma constituíam os eixos centrais da divergência entre as duas escolas.
É improvável que Ibn Sina tenha elaborado duas doutrinas diferentes sob o mesmo nome no mesmo período de sua vida.
A sobrevivência da alma e a preservação de suas faculdades após a morte definem as características fundamentais da filosofia oriental.
Fragmentos do Kitab al-Insaf no comentário sobre a Teologia de Aristóteles reforçam a tese da multiplicidade de entidades espirituais.
A filosofia oriental caracteriza-se pela definição das condições de sobrevivência da alma post mortem.
Ibn Sina sugere a existência de uma tradição científica não helênica que não deriva diretamente dos gregos.
A lógica era conhecida por outro nome entre os orientais e Khorasan constituía uma área de cultura científica separada.
Ibn Zayla identifica a lógica com a fisionomia, enquanto o comentarista persa a vê como uma hermenêutica geral da alma.
A lógica é vivenciada como uma iniciação e purificação na Fonte da Vida, transpondo o estudo do silogismo para um plano espiritual.
J. Ruska contribuiu para o tema com estudos sobre a Tábua de Esmeralda.
A origem da ciência não grega na filosofia oriental pode ser atribuída à meditação pessoal ou a uma tradição recebida.
A meditação de Ibn Sina teria ocorrido sob a iluminação de Hayy ibn Yaqzan.
Suhrawardi seguiu o caminho oriental inspirado por Hayy ibn Yaqzan e Salaman e Absal, embora sua obra seja distinta.
A filosofia oriental de Suhrawardi combina neoplatonismo com neozoroastrismo, nutrindo-se da Luz de Glória ou Xvarnah.
Pinès aponta a afinidade entre Suhrawardi e Georgius Gemistus Pletho, mestre bizantino ligado a um mestre judeu misterioso chamado Elisha.
Sa'd ibn Kammūna é mencionado como um comentador judeu de Suhrawardi.
O significado topográfico do oriente na filosofia de Ibn Sina e Suhrawardi possui um caráter eminentemente metafórico.
Louis Massignon analisa o alfabeto filosófico de Ibn Sina como uma tentativa de conciliar a filosofia grega com a sabedoria semítica.
A Risala Nayrūzīya valoriza a tradição do simbolismo das letras como parte do projeto da filosofia oriental.
Paul Kraus demonstrou que o valor simbólico das letras remonta ao gnosticismo grego da Ásia antes da Cabala judaica.
Massignon afirma que a Cabala judaica depende do Jafr árabe do islã xiita extremista.
O gnóstico xiita Mughira ensinou que as letras derivam do nome supremo de Deus e formam os membros da sombra corporal divina.
Ibn Sina foi guiado pela tradição oriental do ismaelismo em vez de fontes helenísticas para estabelecer seu alfabeto.
O estudo do alfabeto filosófico insere-se na série de exegeses de Ibn Sina sobre o Alcorão e suas letras misteriosas.
As letras isoladas no início das suras são explicadas como fórmulas que evocam princípios inteligíveis ou relações divinas.
Essas letras formam siglas de conceitos comunicadas ao Profeta Muhammad em sonho.
O Jafr representa um simbolismo sapiencial tradicional contra as reduções positivistas ou nominalistas.
A espontaneidade da consciência profética investida por um poder transconsciente invalida reconstruções artificiais do vocabulário alcorânico.
Ibn Jinni concebeu a etimologia transcendente onde o significado total da raiz deriva da combinação das letras.
O Profeta Muhammad divinou a explicação etimológica antes de qualquer construção consciente de uma língua comum.
A revelação resulta da consciência que revive antecedentes escriturais sob o ditado do Anjo.
A unidade da personalidade de Ibn Sina reside em uma intuição central que ordena todas as suas experiências.
O esforço oriental do filósofo não foi um compromisso para poupar mestres gregos, mas um caminho de independência final.
O islã xiita iraniano permitiu o surgimento de uma posteridade avicenista-suhrawardiana que fundiu o sábio perfeito e o Imam em um único arquétipo.
Majlisi e os literalistas hashwiyan representam os grupos teológicos que não puderam adotar essa originalidade espiritual.
A transição para a senda oriental vinculada às tradições do Irã antigo inicia-se em Ibn Sina através da música.
O filósofo foi o primeiro a empregar nomes persas para certos modos musicais.
A técnica musical é capaz de produzir e resolver as dissonâncias nas discussões sobre as variantes da filosofia oriental.
Plotino associa a alma do filósofo à do amante e do músico para atingir a resolução final.
Majduddin Baghdadi e Alauddawla Semnani mencionam sonhos sobre o destino de Ibn Sina e Suhrawardi em relação ao Profeta.