5. ÉTICA DEMANDA

HCHA

V. A ética da demanda e a ética do legado confiado

Salih retorna ao lar depois de longos meses de formação espiritual — completamente inconsolável — e o reencontro com o pai, o xeique al-Bokhtori, desencadeia o confronto que se anunciava tempestuoso.

Após longas conversações entre pai e filho, a situação se acalma; Salih envia mensagem ao Sábio para que venha visitar seu pai, tornando-se assim mediador entre ambos — confirmando as esperanças que os dois dignitários ismaelitas haviam depositado nele.

O mulá Abd al-Jabbar Abu Malik — chamado “Cubo dos sábios” (Kab al-ahbar) — é o personagem central da segunda parte do relato, dotado de grande retidão, saber e, acima de tudo, da alma de um buscador sincero capaz de compreender o espírito da Demanda.

A pedagogia ismaelita que Abu Malik pratica nas entrevistas com os notáveis não opõe dogma a dogma, mas procede hermeneuticamente — não destruir o exotérico, mas “chamar” a descobrir o que está oculto.

Abu Malik convoca os notáveis a um êxodo imediato e solene até a casa de Salih — descrito como um “êxodo em direção a Deus”, como o êxodo de Abraão e como o do personagem do Relato do exílio ocidental de Sohravardi.

O diálogo entre Salih e Abu Malik estrutura-se em torno dos três modos da Demanda e conduz à questão decisiva sobre o encerramento do tempo dos profetas.

Abu Malik, ao afirmar que o tempo dos profetas passou e que as comunidades do Livro não têm mais religião do que a das tradições históricas (riwayat), toca involuntariamente o ponto nevrálgico do drama da Palavra perdida.

A resposta de Salih à pergunta sobre o que é a Religião tem acentos líricos e culmina na imagem da Arca da Sakina — síntese do ecumenismo esotérico das três tradições abraâmicas.