A ORAÇÃO DO HELIOTROPO

HCIA

O texto de Proclo sobre a arte hierática dos gregos — em que o heliotropo segue o movimento do sol como uma prece — anuncia os temas centrais da meditação: a comunidade essencial entre seres visíveis e invisíveis, e a conexão entre a “dialética do amor” e a arte hierática.

Os termos tropos e simpatia, associados a partir do texto de Proclo, foram empregados com proveito numa investigação original sobre a fenomenologia da religião profética, que introduz a noção de um Deus patético — um Deus que sofre e que tem paixões.

A questão decisiva é se, na vasta diversidade da experiência mística, não existe uma região onde a religião mística se revela precisamente como religião simpática — longe de fornecer antítese às categorias da religião profética, assimilando-as e superando a oposição entre os dois tipos.

O sufismo islâmico é dominado por duas grandes figuras — Ibn Arabi, mestre incomparável da teosofia mística, e Jalaluddin Rumi, o trovador iraniano da religião do amor — e o nome Fedeli d'amore traduz para o Ocidente os nomes pelos quais esses místicos se designavam em árabe ou persa.

O caminho a seguir passa por duas etapas: reconhecer a presença do Deus patético numa teosofia mística que mantém a dupla noção de Theos agnostos (Deus incognoscível) e de Deus revelatus; e compreender como, sendo o mistério da origem dos seres expresso como uma com-paixão divina que liberta os seres do não-ser, dessa sympathesis surge um simpatetismo humano-divino que une o senhor divino e seu fedele d'amore em seu próprio ser.