DIALÉTICA DE AMOR

HCIA

Ibn Arabi — juntamente com Ruzbehan de Shiraz — é entre todos os mestres do sufismo aquele que levou mais longe a análise dos fenômenos do amor, empregando uma dialética pessoal eminentemente adequada a revelar a fonte da devoção total professsada pelos Fedeli d'amore.

O Amado único nunca é visível senão numa Forma que é Sua epifania (mazhar) — Forma que, ao revelar-se, também O oculta, pois Ele a transcende sempre —, e entre o Amado real e a forma concreta que O torna visível há necessariamente uma con-spiração (ham-dami persa), uma sym-patia.

Ibn Arabi distingue três modos de ser do amor — o amor divino, o amor espiritual e o amor natural —, e sua classificação contém a própria motivação.

A questão de quem é o sujeito real do amor — pergunta que Ibn Arabi diz ter sido formulada por uma mulher de mente sutil que era grande mística, cujo nome passa em silêncio — revela que os amantes místicos mais perfeitos são os que amam a Deus simultaneamente por Ele e por si mesmos, pois essa capacidade revela neles a unificação de sua dupla natureza.

O sujeito real que move o amor dentro do místico não é a alma por si mesma, mas Deus — e a alma toma consciência de que vê a Deus não por si mesma mas por Ele, ama apenas por Ele, e contempla a Deus em todos os outros seres não por seu próprio olhar, mas porque é o mesmo olhar pelo qual Deus os vê.

O amor cuja força motriz é a Beleza — pois “Deus é um Ser belo que ama a beleza” e que ao revelar-Se a Si mesmo produziu o mundo como espelho para contemplar Sua própria Imagem — tem como objeto único a Deus em ambos os seus aspectos.

A experiência do amor místico implica que o fedele d'amore compreenda que a Imagem não está fora dele, mas dentro de seu ser — é seu próprio ser, a forma do Nome divino que trouxe consigo ao vir à existência.