IMAGINAÇÃO CRIADORA E ORAÇÃO CRIADORA

HCIA

A noção de Imaginação como intermediária mágica entre o pensamento e o ser — encarnação do pensamento em imagem e presença da imagem no ser — desempenha papel de primeira importância na filosofia do Renascimento e reaparece na filosofia do Romantismo, e é ela que introduz a segunda parte da obra.

O estado atual do pensamento ocidental — moldado por teorias do conhecimento e “explicações” de cunho psicologista, historicista ou sociologista — anulou o significado objetivo do objeto e chegou a um agnosticismo puro e simples, no qual a Imaginação é confundida com a fantasia.

A noção de criatividade atribuída ao homem só pode ser elucidada se se pressupõe o sentido e a validade de suas criações — e tudo dependerá do grau de realidade imputado ao universo imaginado e do poder real imputado à Imaginação que o imagina.

Entre a teosofia de Ibn Arabi e a dos teosofistas do Renascimento ou da escola de Jacob Boehme existem correspondências suficientemente marcantes para motivar estudos comparativos — e em ambos os lados encontra-se a ideia de que a Divindade possui o poder da Imaginação e que, ao imaginar o universo, Deus o criou.

A ideia inicial da teosofia mística de Ibn Arabi — e de todas as teosofias aparentadas — é que a Criação é essencialmente uma teofania (tajalli), e como tal um ato do poder imaginativo divino: essa Imaginação criadora divina é essencialmente uma Imaginação teofânica.