O DEUS MANIFESTADO PELA IMAGINAÇÃO TEOFÂNICA

HCIA

A “cosmografia” mística designa o mundo ou plano de ser intermediário que corresponde especificamente à função mediadora da Imaginação — o mundo luminoso das Imagens-Ideias, das figuras aparicionais (alam mithali nurani) — e a primeira preocupação de Ibn Arabi é com as conexões entre as visões e, de um lado, a faculdade imaginativa e, de outro, a inspiração divina.

A teosofia da Luz sugere a metáfora do espelho e da sombra — mas “sombra” não implica escuridão satânica ou um antagonista ahrimaniano: é essencialmente um reflexo, a projeção de uma silhueta ou rosto num espelho.

A relação da sombra com o Ser Divino inaugura a manifestação do mundo do Mistério como Imaginação teofânica absoluta (khayal mutlaq); e a relação do Ser Divino com a sombra constitui as individuações e personalizações do Ser Divino como Deus, que Se desvela a e pela Imaginação teofânica no número ilimitado de Seus Nomes.

Quatro consequências essenciais decorrem do duplo papel da Imaginação teofânica — como Imaginação criadora que imagina a Criação e como Imaginação criatural que imagina o Criador.

O Deus formulado pelo intelecto dos teólogos dogmáticos — investido dos Nomes e Atributos tidos por mais dignos dEle e elevado ao Summum Ens — despoja a Imaginação Ativa de sua função transcendente, fazendo-a parecer produtora apenas do irreal e do “imaginário”.