O «DEUS CRIADO NAS CRENÇAS»

HCIA

A Epifania inicial que apazigua a tristeza do Ser Divino é dupla: uma ocorre no mundo do Mistério (alam al-ghayb), a outra no mundo fenomênico (alam al-shahadat).

Falar de Epifania dos Nomes divinos proporcional à capacidade das formas que os recebem implica seres para os quais essas formas se revelam como tais — seres que se conhecem a si mesmos —, e cuja capacidade de visão condicionará por sua vez a proporção de epifania investida no mundo neles e por eles.

Muitos sufis sustentam que o Ser Divino se epifaniza no coração de todo fiel de acordo com a aptidão de seu coração — mas Ibn Arabi parece preferir a explicação inversa: não é o coração que dá sua “cor” à Forma que recebe, mas o coração do gnóstico que é “colorido” a cada instante pela cor — a modalidade — da Forma em que o Ser Divino se epifaniza a ele.

Nem o coração nem os olhos do crente veem jamais outra coisa que não a Forma da fé que professa em relação ao Ser Divino — essa visão é o grau de teofania que lhe é dado pessoalmente, em proporção à sua capacidade.

Os crentes dogmáticos desconhecem as metamorfoses (tahawwul) das teofanias — e creem que a forma de sua visão é a única forma verdadeira.

Um hadith frequentemente citado tipifica a situação: no dia da Ressurreição (Qiyama), Deus Se mostrará a Seus servos numa forma que não conheceram.