O «CAMPO» DA IMAGINAÇÃO

HCIA

A doutrina da Imaginação em sua função psicocósmica tem dois aspectos inseparáveis — o cosmogônico ou teogônico, que medita as teofanias dos Nomes divinos como um processo de iluminação crescente das possibilidades latentes no Ser Divino original, e o especificamente psicológico — e Ibn Arabi, num capítulo das Futuhat, esboça uma “ciência da Imaginação” (ilm al-khayal) com o schema dos temas nela envolvidos.

A ciência da Imaginação é ao mesmo tempo teogonia, cosmologia, ciência das teofanias dispensadas especificamente aos místicos e de todas as taumaturgias relacionadas — e tem o poder específico de fazer existir o Impossível, poder que é posto em efeito pela Oração.

No aspecto especificamente psicológico da Imaginação, Ibn Arabi distingue uma imaginação conjunta ao sujeito imaginante e inseparável dele (khayal muttasil) e uma imaginação autônoma, dissociável do sujeito (khayal munfasil).

É a noção da Imaginação separável e autônoma que se relaciona mais diretamente com o tema da função “criadora” da Imaginação na experiência mística — e sua análise exige dois termos técnicos: o “coração” e a himma.