O SEGREDO DOS RESPONSÓRIOS DIVINOS

HCIA

Para o discípulo de Ibn Arabi, muito está em jogo: o versículo corânico declara — “O homem é uma testemunha que testemunha contra si mesmo, qualquer que seja a desculpa que ofereça” (LXXV:14-15) — e o método de oração teofânica abrange três graus: presença, audição, visão.

A estrutura da Oração como diálogo levanta a questão de quem toma a iniciativa — e a resposta revela a intuição mais profunda da teosofia de Ibn Arabi: cada um, por turnos, assume o papel do outro.

A Imaginação Criadora do fiel não cria um “Deus fictício” — pois a imagem do Deus criada pelo fiel é a Imagem do Deus que seu próprio ser revela: seu próprio ser revelado pelo “Tesouro oculto.”

O crente dogmático ignora que o louvor que oferece a Deus é um louvor dirigido a si mesmo — e isso precisamente porque, não sendo gnóstico, desconhece o processo e o significado da “criação” que atua em sua fé.

Ao transmutir o dogma em símbolo (mazhar), Ibn Arabi estabelece a verdade divina dessa criação humana — pois fundamenta sua verdade humana numa criação divina: não se refutam símbolos, decifram-se.

O dom místico supremo é receber uma visão intuitiva da própria hexeidade eterna — que habilita o místico a conhecer sua aptidão e sua predisposição eterna, definindo a curva de uma sucessão de estados ad infinitum.