O MÉTODO DE ORAÇÃO TEOFÂNICA

HCIA

A Oração desempenha uma função essencial — e não paradoxal — na doutrina de Ibn Arabi, pois a estrutura teofânica do ser, ao implicar a unidade de essência entre Criador e criatura, não os torna existencialmente idênticos — o manifesto não é o oculto, o vassalo não é o senhor, o nasut não é o lahut.

A noção de partilha de papéis inspira o que Ibn Arabi chama de “método de oração teofânica” — e o instrumento dessa oração é a primeira Sura do Corão, a Fatiha, que ele comenta como uma munajat: um colóquio, um “diálogo íntimo”, um “salmo confidencial.”

Ibn Arabi distingue três momentos sucessivos em sua prática da Fatiha como serviço divino-diálogo.

A Fatiha, de sete versículos, comporta três fases na meditação de Ibn Arabi, centradas no versículo da ação recíproca — “Só a Ti adoramos, e só a Ti pedimos auxílio” (IV) —, que é a pedra angular de toda a teosofia.

Um curto poema inserido por Ibn Arabi em outra obra é o melhor comentário ao serviço divino celebrado como “diálogo íntimo.”

O intercâmbio de Nomes implica em particular um intercâmbio dos Nomes “o Primeiro” e “o Último”, partilhados simultaneamente pelo fiel e seu Senhor — pois a Oração do fiel é ao mesmo tempo a Oração de seu Senhor, a Oração do Criador-Criatura.