HADITH DA VISÃO

HCIA

Dois leitmotivs governam a visão mística de Ibn Arabi: a resposta de Deus a Moisés no Corão — “Não Me verás” — e o famoso “hadith da visão” (al-ru'ya), em que o Profeta testemunha: “Vi meu Senhor sob a forma de maior beleza, como um jovem de cabelos abundantes, sentado no Trono de graça; estava vestido com uma veste de ouro [ou um manto verde, segundo outra versão]; na cabeça uma mitra de ouro; nos pés sandálias de ouro.”

Abd al-Karim Jili, discípulo de Ibn Arabi, analisa o hadith da visão como uma coincidentia oppositorum que impõe a homologação do infinito na forma finita — pois tal é a própria lei do ser.

O esplendor da visão e a insistência na beleza plástica remetem ao sentimento predominante em vasta área do sufismo de que a Beleza é a teofania por excelência.

A concepção teofânica — não limitada a alguns estudiosos especulativos, mas compartilhada por todos os círculos em que os Apócrifos circulavam — é a de uma Aparição que é um resplendor da Divindade através do espelho da humanidade.

Cada teofania é uma nova criação — as teofanias são descontínuas, e sua história é a da individualidade psicológica, sem relação com a sequência ou causalidade de fatos externos.

Todas essas distinções são de capital importância em qualquer tentativa de comparar uma espiritualidade não cristã com o Cristianismo — pois é preciso esclarecer antes de tudo de que Cristianismo se fala.