AO REDOR DA CAABA MÍSTICA

HCIA

A visão do Templo no domínio da “Presença Imaginativa” — inteiramente fechado, com apenas uma coluna emergindo da parede como intérprete do impenetrável — homologa-se à Pedra Negra encravada no Templo material da Caaba, que é um nome do “Polo místico” e de todas as suas manifestações.

Ibn Arabi encontra-se na sombra do Templo da Caaba — a tipificação sensível do Templo contemplado na Imaginação —, e é aqui que a oração de Suhrawardi à sua Natureza Perfeita recebe resposta.

O ser que é o eu transcendente do místico — seu Alter Ego divino — revela-se, e o místico não hesita em reconhecê-lo, pois em sua busca ouviu o comando: “Olha para o Anjo que está contigo e que cumpre as circumambulações a teu lado.”

O ritual torna-se então o paroxismo daquela “Oração de Deus” que é a própria teofania — revelação do Ser Divino a um homem na Forma em que Ele Se revela a Si mesmo nesse homem, e eo ipso na qual Ele revela esse homem a si mesmo.

É essa revelação que se quer dizer quando se afirma que toda teofania é como tal uma “angelofania” — pois não se encontra, não se vê a Essência Divina; ela é o próprio Templo, o Mistério do coração.