PRÓLOGO

HCLPM

Uma invocação glorifica a Deus e implora o auxílio de sua força — aquela pela qual constituiu o Malakut da Terra e do Céu — e o socorro do Verbo pelo qual produziu a segunda criação e a primeira criação, a fim de educar as faculdades aptas a atingir gradualmente a perfeição e de expulsar os demônios das conjecturas que extraviam.

Mohammad Sadroddîn Shîrâzî — apresentando-se como o menos prestigioso e mais falível entre os homens — convoca os irmãos que caminham em direção a Deus à luz da gnose mística (irfan) a escutar com o coração seu livro, para que neles penetre a luz de sua theosophia.

A theosophia — a theo-sophia — é o conhecimento de Deus por sua essência, dom prodigado aos dignos e recusado aos indignos, distinto do conhecimento de Deus pelos horizontes e pelas almas.

Essa theosophia não consiste em disputações escolásticas, em conformismo com opiniões comuns, em filosofia (falsafa) deploravelmente teórica, nem em imaginações vãs à maneira dos sufis, mas é o fruto da meditação sobre os Sinais de Deus e da reflexão sobre o reino de seus Céus e de sua Terra.

Em obras e tratados anteriores já foram apresentados certos filosofemas que iluminam, certas nutrições de qualidade sutil e certos prolegômenos úteis ao esplendor dos espíritos e ao ornamento das inteligências — caminhos em direção às etapas e aos graus que conduzem ao supremo cume.

O problema do ser (wojud) é o fundamento das posições filosóficas, a base das questões teológicas e o pivô sobre o qual gira a ciência do Tawhid, da escatologia (ma'ad) e da Ressurreição dos espíritos e dos corpos — e quem ignora a ciência do ser vê a ignorância invadir até as fontes mesmas dos problemas primordiais.

Posições doutrinárias sutis e filosofemas importantes virão a seguir — questões sobre o conhecimento da Origem e do Retorno, da alma e da Ressurreição, da profecia e da walayat, do mistério da descida da Comunicação divina (wahy) e dos Sinais, da angelologia, da demonologia, do mundo da tumba e do mundo intermediário (barzakh), e da maneira como Deus conhece as coisas.

O tratado foi construído em torno de uma introdução e de duas estações (mawqif), cada uma compreendendo várias penetrações (masha'ir) — palavra escolhida para o título por haver uma correspondência entre o sentido oculto e a aparência exterior, entre o notório e o secreto.

Introdução: onde se aprofunda o conceito e as leis do ser, e onde se estabelece sua essência e seus estados. Haverá várias penetrações.