RICE

CYPRIAN RICE Ο. P.. The Persian Sufis, 2d ed. London, 1969

O fenômeno sufi é de difícil definição, uma vez que seus adeptos nunca pretenderam fundar uma nova religião, mas sim purificar e espiritualizar o Islã por dentro, utilizando textos do Alcorão de maneira análoga ao uso da Bíblia pelos místicos cristãos.

A identidade e o futuro do sufismo O sufismo constitui um caminho, uma doutrina e uma forma de conhecimento espiritual conhecida como ‘irfān ou ma’rifat, correspondente à gnose grega, possuindo grandes nomes como Maulānā Rumi, Ibn al ‘Arabi, Jami e Mansur al Hallaj, que são familiares em todo o mundo islâmico e além.

A primazia persa no misticismo islâmico Considerado em seu conjunto, o que se chama de “misticismo islâmico” é um produto persa, pois a Pérsia é a pátria do misticismo no Islã, embora o fogo místico tenha se espalhado rapidamente pelo mundo islâmico, encontrando combustível em corações de não persas.

A transformação interna do Islã pela mente persa e suas raízes antigas Essa ousada transformação do Islã de dentro para fora pela mente mística da Pérsia começou já na vida do Profeta com o papel desempenhado por Salman, o Persa, e revelou-se na rápida espiritualização da pessoa de ‘Ali e na evolução do significado místico de Maomé em torno da noção da “luz de Maomé” (nūr muhammadi).

O caráter prático do sufismo e seus grandes mestres Embora palavras como ma’rifat ou ‘irfān possam sugerir um movimento especulativo, o sufismo é fundamentalmente uma ciência prática, o ensino de um modo de vida, que exige um treinamento rigoroso sob a guia de um pai espiritual sábio (Pir u Murshid).

A recepção ocidental do sufismo e os grandes estudiosos Por muitos séculos, o vasto tesouro da sabedoria mística persa foi um livro fechado para o Ocidente, sendo somente em 1774 que os Comentários Latinos sobre a Poesia Asiática de Sir William Jones abriram o caminho para o conhecimento dos escritores persas, embora com pouco impacto.

O uso da linguagem da mística cristã e o desafio do legado sufi O uso da linguagem da mística cristã para tratar do sufismo justifica-se pela semelhança das operações de Deus com as almas em todos os climas e da resposta similar que as almas humanas lhe dão, embora não se queira afirmar que Billuart ou Bossuet atribuíam necessariamente o mesmo significado aos termos que Rumi ou Bistimi.

A relação com o Cristianismo e o sonho ecumênico de Maomé Sob o amplo guarda-chuva do Islã, com seu dogma conciso “Lā ilāha illa ’llāh”, abriga-se uma vasta gama de doutrinas religiosas e práticas devocionais, muito do qual se originou em regiões da Ásia Ocidental onde o Cristianismo e o monaquismo cristão tiveram expansão notável.