IBN ARABI

Dagli, Caner K. Ibn al-ʻArabi and Islamic intellectual culture: from mysticism to philosophy. London New York (N.Y.): Routledge, 2016.

Ibn al-Arabi foi uma das maiores figuras da história intelectual islâmica e entre os sufis carrega o título de al-Shaykh al-Akbar, “o Grande Mestre”, sendo seus escritos em verso e prosa abrangentes de temas como comentário corânico, cosmologia, vida espiritual, ritual islâmico, interpretação de sonhos, astrologia, alquimia e muito mais.

No estudo da escola de Ibn al-Arabi há a suposição comum de que os ensinamentos da escola, mesmo separados por séculos, formam um corpo fixo de doutrinas, mas a articulação da visão fundamental de realidade começou a mudar já na primeira geração de discípulos.

O primeiro objetivo do livro é rastrear o desenvolvimento da metafísica da escola de Ibn al-Arabi, especialmente quanto ao conceito de wahdat al-wujud — “a unidade da existência” — cuja identificação com Ibn al-Arabi e sua escola, embora verdadeira como aproximação, pode ser enganosa.

O segundo objetivo é desdobrar e examinar um aspecto da relação entre tasawwuf e falsafah — entre “filosofia” e “misticismo” — na tradição islâmica, pois uma transformação importante na escola de Ibn al-Arabi é que seus representantes não apenas se engajam com ideias da falsafah, mas gradualmente adotam um modo de discurso que, no tom e no estilo técnico, começa a espelhar o discurso já desenvolvido e crescentemente influente da falsafah.

O papel dos comentários sobre o Fusus al-hikam

Uma fonte importante do material relevante para o cruzamento entre tasawwuf e falsafah provém da tradição de comentário sobre o Fusus al-hikam de Ibn al-Arabi, uma obra relativamente breve — cerca de 180 páginas na edição crítica — em muitos trechos quase impossível de decifrar sem familiaridade profunda com os outros escritos de Ibn al-Arabi, um comentário detalhado do texto e/ou um mestre tradicional.