DA SABEDORIA DA BEATITUDE MISERICORDIOSA NO VERBO DE SALOMÃO

IASP

Bilqis disse: “Em verdade, ela é de Salomão, e está em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso” — o que significa que a carta era de Salomão e seu conteúdo começava pela invocação divina; alguns quiseram deduzir daí que Salomão teria posto seu próprio nome antes do nome de Deus, mas isso seria inconciliável com o conhecimento que Salomão tinha de seu Senhor.

Quem entre os servos de Deus possui o estado que lhe garante a misericórdia divina sabe por isso mesmo quem é realmente o autor de suas obras — pois Deus declarou ser Ele mesmo o “Si mesmo” (al-huwiyah) de cada um dos oito “órgãos” do homem: mãos, pés, olhos, ouvidos, língua, coração, ventre e sexo.

Esse conhecimento não era oculto para Salomão — ao contrário, pois ele faz parte de “um reino que não pertencerá a ninguém mais” depois dele, ou seja, que ninguém após ele poderá manifestar na ordem sensível.

A misericórdia divina abraça todas as coisas — o Corão diz: “Minha misericórdia abrange todas as coisas” — inclusive os próprios nomes divinos, ou seja, as relações essenciais.

A superioridade do sábio humano sobre o sábio entre os gênios (al-jinn) consiste em que o primeiro conhece os segredos das transformações e as virtudes essenciais das coisas — e é isso que está expresso no lapso de tempo necessário a cada um para operar o transporte do trono de Bilqis.

Quando Bilqis avistou seu trono e disse “é como se fosse ele mesmo”, disse a verdade — no sentido em que se é essencialmente idêntico, no momento do próprio renovamento, ao que se era no passado.

Todos caminham sobre a Via reta, sobre a qual está o próprio Senhor, pois Ele segura a “mecha do occipício” das criaturas em Sua mão — de modo que não podem ser separadas d'Ele.

O privilégio cosmológico de Salomão consistia no poder do mandamento (al-amr) direto — o Corão diz: “Tornamos-lhe o vento submisso, para que sopre por seu mandamento.”

Quando um dom cai sobre um servo de Deus em virtude de uma prece ordenada por um mandamento divino, esse dom não será deduzido do que ele deve receber na vida futura.