CAABA

GILIS, Charles-André. La doctrine initiatique du pèlerinage. Paris: Editions de l’Oeuvre, 1994.

A Caaba Primordial

Os dados tradicionais concernentes à história sagrada da Caaba referem-se, de maneira nítida e mesmo exclusiva, a três períodos bem distintos: o de Adão, o de Abraão e Ismael e o de Muhammad — sobre ele a Graça unitiva e a Paz divinas!

Os eventos tradicionais que acompanham a fundação, na Caaba, de um culto especificamente humano estão ligados à transferência do califato — detido durante o período precedente pelos seres de natureza ígnea, “luminosa” para os Anjos e “calorífera” para os djinns — em benefício de Adão.

Michel Vâlsan escreve: “Nas origens, antes da descida de Adão, o santuário da Caaba havia sido, em uma primeira forma, um centro de peregrinação para os Anjos…”

A queda de Adão, que chegou “ao solo da Caaba, o qual tremeu como um navio violentamente sacudido”, veio acompanhada da descida de dois objetos provenientes do Paraíso: o Tâbût e o Rukn, segundo uma tradição que remonta a Ibn Abbâs.

As tradições que relatam o exílio subsequente de Adão na Índia e seu retorno a Meca como primeiro peregrino humano referem-se não mais à função axial do “pai dos homens”, mas ao aspecto cíclico ligado mais especialmente à sua modalidade corporal.

O retorno a Meca do Adão-peregrino acarreta não apenas a instituição dos ritos da peregrinação, mas também a fundação de uma Casa nova, substituída ela mesma à Caaba originelle visitada pelos Anjos.

As características da Caaba original estão estreitamente ligadas, como aliás se podia esperar, às condições especiais que são as do período inicial do ciclo humano, bem como aos diferentes aspectos sob os quais aparecem, do ponto de vista da ciência tradicional, o estado e a função primordial da humanidade adâmica.