DESVELAMENTO... (PREFÁCIO)

Prefácio de Denis Gril à tradução do livro de Ibn Arabi, “O desvelamento dos efeitos da viagem

O K. al-isfâr baseia-se na afirmação de que todos os seres, até a própria divindade, pelo menos em alguns de seus aspectos, participam de uma jornada universal sem fim, nem neste mundo nem no outro, e em todos os graus do Ser. Os Futûhât ecoam: «Tu és para sempre um viajante, assim como não podes estabelecer-te em lugar algum». É preciso, no entanto, matizar esse ponto de vista com o do capítulo 175 «sobre a estação do abandono da viagem». Por que partir em Sua busca, se Ele é onipresente? A perfeição consiste não em buscar, mas em ser buscado, e o repouso (sukûn) é submissão à vontade divina. Mas, como mostra Ibn Arabi nesse mesmo capítulo, tanto a viagem quanto seu abandono provêm de um aspecto divino: um representado pela descida de Deus ao céu deste mundo; o outro, pelo estabelecimento no Trono. Esses dois aspectos, o movimento e o repouso, encontram-se na viagem do Profeta, que se eleva, transportado, não se movendo, portanto, por conta própria.

É ainda a respeito dessa viagem que o Sheik cita nas Futûhât o K. al-isfâr, após ter lembrado brevemente seu conteúdo. Essa citação permite, sem dúvida, afirmar que esse tratado foi composto durante o primeiro período da vida do autor, antes de sua partida para o Oriente. Tudo ou quase tudo está dito ali, mas sob a forma de indicações ou, mais frequentemente, de alusões. O Futûhât, obra da maturidade, matiza, completa e desenvolve.